Mário Centeno, de 59 anos, voltou a lançar duras críticas ao Governo de Luís Montenegro, acusando o Executivo de incompetência na gestão das contas públicas e de falta de preparação na condução da política económica. Numa entrevista à TSF/Jornal de Notícias, o antigo ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal deixou ataques particularmente contundentes a Joaquim Miranda Sarmento.

"Não há diabo aqui. É apenas incompetência", afirmou Centeno, denunciando um desvio de 6.200 milhões de euros na previsão da despesa pública para 2026. "No tempo das contas certas, essa mesma diferença em 2019 foi de 19 milhões de euros."

O economista, agora a trabalhar para o ABANCA, considera insustentável o crescimento da despesa e critica a política de redução de impostos: "A redução de impostos sabe bem, mas é como um doce – depois tem uma consequência, porque deixa de financiar despesa."

Sobre o Governo AD, foi particularmente incisivo: "Quem governa sem bússola e sem preparação, só dá conta daquilo que lhe acontece no momento." Centeno questionou ainda a competência económica do Executivo: "Há poucos economistas no Governo. Na verdade, de ministros só há um, e não é o das Finanças."

O antigo governante do Governo socialista rejeitou também as justificações relacionadas com o investimento público e o PRR, considerando que "isso é uma não explicação".

Na Saúde, Centeno alertou para um corte orçamental previsto para 2027, questionando como será possível travar uma despesa que aumentou 30% em três anos. "Temos menos consultas, não consigo entender."

Na mesma entrevista, criticou ainda os benefícios fiscais dirigidos aos rendimentos elevados: "Faz sentido reduzir os impostos a quem ganha mais do que 10 mil euros por mês?" Como alternativa, defendeu apoios sociais direcionados às famílias mais vulneráveis, nomeadamente através do abono de família.

Sobre um eventual Governo PS/PSD, rejeitou o preconceito contra o Bloco Central: "Não consigo perceber sequer qual é o estigma que existe sobre o Bloco Central." E deixou um último aviso: "Não há bons governos sem boas oposições. Não há bons planos A sem bons planos B."