O cofundador e CEO da OpenAI considera que passar quatro anos na universidade deixou de fazer sentido para muitas pessoas no mundo atual. Sam Altman, de 41 anos, defendeu essa ideia durante a Conferência Tecnológica Internapalooza, recordando que, no seu caso, abandonou a Universidade de Stanford ao fim de apenas dois anos.

O responsável acredita que esse período foi suficiente para retirar da experiência académica aquilo de que precisava. “Foi a quantidade de tempo correta”, afirmou, admitindo que o mesmo poderá aplicar-se a outros estudantes.

Apesar de reconhecer que “aprendeu muito” durante a passagem por Stanford, Sam Altman considera que permanecer mais tempo no ensino superior lhe teria proporcionado um “retorno drasticamente inferior”: “Penso que, com a forma como o mundo evoluiu, não se devia passar tanto tempo na universidade, mas ainda foi bom conhecer pessoas, viver sozinho e trabalhar em projetos.”

O responsável pela OpenAI deixou Stanford em 2005 e envolveu-se pouco depois na criação da Loopt, uma aplicação destinada à partilha de localização entre familiares e amigos. O projeto recebeu apoio da Y Combinator, aceleradora que viria a ter um papel importante no percurso profissional de Altman, permitindo-lhe aumentar a sua rede de contactos e aprofundar a atividade como investidor antes de chegar à OpenAI.

As declarações sobre o ensino superior surgem numa altura em que Altman também tem demonstrado alguma mudança de tom em relação ao ritmo de evolução da Inteligência Artificial.

No podcast 'Invest Like the Best', o CEO acredita que poderá ser necessário dar mais tempo à sociedade para acompanhar os avanços tecnológicos. “Talvez tenhamos de abrandar o ritmo de desenvolvimento de Inteligência Artificial para termos tempo suficiente, enquanto sociedade, para nos adaptarmos a alguns destes novos níveis de capacidade”, afirmou, sem, contudo, explicar de que forma esse abrandamento poderia ser concretizado.

A posição contrasta com declarações feitas alguns meses antes, durante a US Infrastructure Summit da BlackRock. Na altura, Altman argumentou que os Estados Unidos não deveriam perder velocidade na adoção da tecnologia, sob pena de ficarem atrás de outros países.

“Se não avançarmos tão rapidamente como outros países na adoção [e Inteligência Artificial], penso que perderemos a vantagem que temos por sermos a potência económica que somos”, notou Altman na conferência. “E isso depende da rapidez com que as empresas a adotam. Depende da rapidez com que os nossos cientistas a adotam, da rapidez com que o nosso governo a adota.”

O empresário classificou ainda a Inteligência Artificial como “uma oportunidade única em muitas gerações para realmente melhorar a economia” e uma possibilidade de “reescrever algumas das regras da sociedade que não estão a funcionar à luz desta nova e incrível fonte de riqueza”.