Portugal poderá ser eleito esta quarta-feira como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 2027-2028, regressando ao principal órgão responsável pela manutenção da paz e da segurança internacionais. A votação decorre na Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, e representa um momento de particular relevância diplomática para o país.
Caso confirme a eleição, Portugal passará a integrar o grupo restrito de dez membros não-permanentes do Conselho, juntando-se aos cinco membros permanentes com direito de veto — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
A candidatura portuguesa, cuja ideia partiu, em 2013, de Paulo Portas, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros do governo Passos Coelho, tem sido apresentada pelo Governo como uma aposta no multilateralismo, na defesa do direito internacional e na valorização do diálogo diplomático, num contexto internacional marcado por conflitos armados, tensões geopolíticas e crescente instabilidade global.
Dada a incógnita quanto ao possível resultado final da votação de hoje, a candidatura portuguesa é vista como "uma aposta de alto risco" por parte do atual governo, e do próprio Paulo Rangel, chefe da diplomacia portuguesa, até porque, segundo fontes diplomáticas ouvidas pelo 24Horas, "o investimento feito por Rangel em todo este processo, colocando a máquina do MNE ao serviço deste propósito, ao mesmo tempo que descurava outros dossiers, não se coaduna com Portugal não vir a ser eleito". Por outras palavras, um possível fracasso da candidatura portuguesa é vista no Palácio das Necessidades como uma "derrota pessoal" do próprio Rangel.
Portugal já integrou o Conselho de Segurança por quatro vezes, a última das quais no biénio 2011-2012.

















