Cristiano Ronaldo anunciou esta quinta-feira, dia 5, o fim da carreira na Seleção Nacional. Num vídeo publicado nas redes sociais, o capitão, de 41 anos, afirmou que “chegou o dia de devolver a camisola sete” e que “Portugal estará sempre em mim”. Sai como recordista mundial de jogos, golos e vitórias por seleções, com três títulos conquistados por Portugal: o Euro 2016 e as Ligas das Nações de 2019 e 2025.
O anúncio surge na véspera da convocatória de Jorge Jesus para os jogos da Liga das Nações com a Dinamarca, a 14 de novembro, em Braga, e com o País de Gales, a 17, em Cardiff. Ronaldo constava da pré-convocatória, depois de ter sido suspenso por 30 dias por abandonar o estágio em Copenhaga, a 30 de setembro, após a conferência de imprensa do selecionador. Três dias antes, tinha ficado no banco na vitória sobre a Noruega, em Oslo. O último jogo foi o triunfo sobre o País de Gales (1-0), a 24 de setembro, em Alvalade.
A história começou a 20 de agosto de 2003, em Chaves, num particular com o Cazaquistão. Com 18 anos, entrou ao intervalo para o lugar de Luís Figo. Depois de passar pelas seleções jovens, somou na equipa principal mais de 18 mil minutos, sob as ordens de seis selecionadores.
O primeiro golo surgiu ao oitavo jogo, a 12 de junho de 2004, de cabeça, nos descontos da derrota com a Grécia, na abertura do Euro disputado em Portugal. Voltou a marcar aos Países Baixos nas meias-finais, mas acabou a final em lágrimas, de novo frente aos gregos. No ano seguinte, em Moscovo, soube da morte do pai na véspera de um jogo com a Rússia, recusou regressar a casa e foi o melhor em campo no empate a zero.
O primeiro hat-trick chegou só em setembro de 2013, na Irlanda do Norte. Dois meses depois, assinou uma das noites mais célebres: três golos em Solna, no duelo com Zlatan Ibrahimović, que deram a vitória por 3-2 sobre a Suécia e o apuramento para o Mundial do Brasil. Fez 10 jogos com pelo menos três golos, dois deles com quatro, frente a Andorra e à Lituânia.
A consagração aconteceu em Paris, a 10 de julho de 2016. Ronaldo saiu lesionado aos 25 minutos da final com a França, viveu o prolongamento aos gritos junto ao banco e levantou a taça depois do golo de Éder. Foi o primeiro grande troféu da Seleção. Em 2019, no Porto, marcou os três golos à Suíça nas meias-finais da primeira Liga das Nações, que Portugal venceu. Em 2025, aos 40 anos, marcou o golo decisivo à Alemanha nas meias-finais e o do empate na final com a Espanha, decidida nos penáltis.
Pelo caminho, foram caindo as marcas. Em setembro de 2020, tornou-se o primeiro europeu a chegar aos 100 golos por uma seleção, com um livre direto à Suécia. A 1 de setembro de 2021, ultrapassou Ali Daei com dois golos de cabeça nos últimos minutos à República da Irlanda, que valeram a vitória por 2-1. A 20 de junho de 2023, foi o primeiro homem a chegar às 200 internacionalizações e festejou com o golo da vitória na Islândia, aos 89 minutos.
Nos Europeus, deixa recordes de presenças (seis), jogos (30), golos (14, contra nove de Michel Platini) e vitórias (14). É também o único a marcar em cinco fases finais e foi o melhor marcador do Euro 2020, com cinco golos. Contando com a qualificação, soma 55 golos na prova.
Nos Mundiais, é o único jogador a marcar em seis edições. Fez 11 golos, mais dois do que Eusébio, e tem o momento mais memorável no hat-trick à Espanha, em 2018, num empate a três fechado com um livre aos 88 minutos. O título mundial escapou-lhe: o melhor resultado foram as meias-finais de 2006. Em junho, tornou-se o jogador mais velho a marcar dois golos num jogo do Mundial, frente ao Uzbequistão. O último golo pela Seleção, o 146.º, foi de penálti, à Croácia, a 2 de julho. Quatro dias depois, a Espanha, futura campeã, eliminou Portugal nos oitavos de final.
Os números dos golos completam o retrato. Marcou a 49 seleções diferentes, com destaque para o Luxemburgo (11), a Hungria (nove) e a Lituânia (sete, em apenas três jogos). Fez 85 golos com o pé direito, 33 com o esquerdo e 28 de cabeça, incluindo 23 penáltis e 11 livres diretos. Marcou 85 golos na segunda parte, 38 deles depois dos 76 minutos. Portugal ganhou 81 dos 96 jogos em que Ronaldo marcou. Pauleta, segundo melhor marcador nacional, tem 47 golos. Lionel Messi, o mais próximo na lista mundial, soma 125, segundo a UEFA.
Ronaldo revelou em outubro que tinha uma carta de despedida pronta desde o Mundial e que foi Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, quem o convenceu a continuar. Esta manhã, a federação agradeceu-lhe publicamente. O avançado continua a jogar no Al Nassr.
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