Arqueólogos da Fundação Côa Parque identificaram um novo conjunto de gravuras rupestres com mais de 23 mil anos no sítio arqueológico do Fariseu, no Parque Arqueológico do Vale do Côa, reforçando a importância científica de um dos mais relevantes núcleos de arte paleolítica ao ar livre do mundo.
As novas figuras, atribuídas ao período Solutrense, representam sobretudo auroques, veados e cavalos, executados através das técnicas de picotagem e abrasão, características da arte paleolítica. Parte destas representações permanece ainda sob os sedimentos, circunstância que permitirá aprofundar o seu estudo arqueológico e estabelecer uma cronologia sustentada por contexto estratigráfico.
Segundo o arqueólogo Thierry Aubry, da Fundação Côa Parque, a localização das gravuras sob camadas arqueológicas constitui um elemento determinante para a sua datação. Ao contrário do que sucede com a maioria da arte rupestre, estas figuras podem ser associadas a depósitos sedimentares datáveis por métodos físico-químicos, permitindo fixar uma idade mínima superior a 23 mil anos e enquadrá-las nas fases iniciais da arte paleolítica do Vale do Côa.
As descobertas ocorreram durante escavações na rocha 09 do Fariseu, um dos principais núcleos de arte rupestre do vale, classificado como Monumento Nacional e integrado, desde 1998, na lista do Património Mundial da UNESCO. Os trabalhos arqueológicos prosseguem no local, onde os investigadores admitem existir ainda mais superfícies gravadas preservadas sob os sedimentos, reforçando o potencial científico deste sítio para o conhecimento das primeiras manifestações artísticas das comunidades de caçadores-recoletores do Paleolítico Superior.

















