Uma equipa internacional de investigadores conseguiu identificar ADN humano com pelo menos dois mil anos preservado nas paredes de grutas em Portugal e Espanha, numa descoberta inédita que poderá transformar a forma como é estudada a presença humana em sítios arqueológicos.
O estudo, publicado esta semana, na revista científica 'Nature Communications', demonstra pela primeira vez que as superfícies rochosas podem conservar vestígios genéticos durante milhares de anos, abrindo uma nova área de investigação na arqueogenética.
A investigação reuniu cientistas de Portugal, Espanha, Alemanha, Reino Unido e China, que analisaram 24 painéis de arte rupestre distribuídos por 11 grutas da Península Ibérica. Entre os locais estudados destacou-se a Gruta do Escoural, no Alentejo, onde foi recuperado ADN humano antigo numa crosta de calcite com pigmento e numa zona da parede sem pigmento.
Os investigadores encontraram ainda ADN humano antigo em três amostras recolhidas em paredes sem pigmento, duas das quais junto a uma área com pigmentos na Gruta de Covarón, nas Astúrias, em Espanha.
O material genético recuperado tem uma antiguidade mínima de dois mil anos e corresponde, pelo menos, a cinco indivíduos diferentes: três mulheres, um homem e uma pessoa cujo sexo não foi possível determinar.
Embora os cientistas não consigam estabelecer uma ligação direta entre este ADN e a criação da arte rupestre, acreditam que os vestígios terão sido deixados através do contacto físico com as paredes, da aplicação de pigmentos ou da projeção de fluidos corporais durante a utilização das grutas.
















