A Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC Angola) apresenta até domingo, dia 18, no Elinga Teatro, em Luanda, as últimas sessões de 'Sona 137'. A peça parte dos sona, os desenhos tradicionais cokwe traçados na areia, para falar de submissão e conformismo. Há espetáculo sábado e domingo, sempre às 19h00, a fechar uma temporada que começou a 1 de outubro.
Os sona foram inscritos em 2023 pela UNESCO na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade. São figuras geométricas desenhadas na areia com os dedos pelos povos lunda-cokwe, no leste de Angola, e servem para transmitir histórias, conhecimento e memória coletiva entre gerações. Foram o primeiro património imaterial angolano reconhecido pela organização.
Em “Sona 137”, esses traços tornam-se metáfora. Segundo a companhia, a peça estabelece um paralelo com caminhos que se fecham sobre si mesmos e percursos que prendem em vez de libertar. Explora a submissão imposta e a interiorizada, e questiona os padrões culturais e sociais de um mundo cada vez mais obediente e conformado, seja na política, na religião, na tradição ou nas relações humanas.
A coreografia é de Ana Clara Guerra-Marques e Andy Rodríguez. A música original, de David López Sáez, inspira-se nas tradições musicais do mesmo território e integra as sonoridades do cisaji, um lamelofone tradicional, num registo contemporâneo. Em palco estão oito bailarinos da companhia: Andy Rodríguez, António Sande, David Daniel, Gabriel Lopes, Jéssica Sanga, José Ndumbu, Marcos Silva e Samuel Curti. O espetáculo dura cerca de uma hora e dez minutos, e a entrada custa 10 mil kwanzas.
O regresso à cultura cokwe tem raízes antigas na companhia. A CDC Angola estreou-se a 27 de dezembro de 1991, no Teatro Avenida, em Luanda, com “A Propósito de Lweji”, obra baseada no mito da fundação do Império Lunda e em elementos da cultura cokwe. Fundada por Ana Clara Guerra-Marques, foi a primeira companhia profissional de dança do país e introduziu em Angola a dança inclusiva, com bailarinos com e sem deficiência motora.
Em 2025, a companhia esteve em digressão por Portugal, com espetáculos em Coimbra, Braga, Vila Nova de Gaia e Lisboa.

















