O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se na quinta-feira, dia 14, com as autoridades cubanas no Ministério do Interior, em Havana. O encontro, confirmado ambas as partes, acontece numa altura em que Cuba enfrenta uma grave crise energética provocada pelo bloqueio imposto pelos EUA.
A CIA confirmou a reunião e revelou que John Ratcliffe transmitiu uma mensagem do presidente Donald Trump, indicando que os EUA estão preparados para se envolver em questões económicas e de segurança caso Cuba faça "mudanças funcionais". Segundo o comunicado do governo cubano, os dois países demonstraram interesse em ampliar a cooperação bilateral entre as agências de segurança e aplicação da lei. Cuba aproveitou ainda para afirmar à delegação americana que "não representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos".
A reunião foi antecedida pelo avistamento de um avião do governo norte-americano no aeroporto internacional de Havana, que abandonou o local na tarde de quinta-feira. A movimentação acontece dias depois de Trump afirmar que Washington e Havana "iriam conversar".
Cuba atravessa uma das piores crises energéticas da sua história. Desde o fim de janeiro, o bloqueio energético imposto pelos EUA esgotou as reservas de combustível da ilha. Na última terça-feira, 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia. Havana foi palco de panelaços de protesto e o leste do país registou um apagão maciço esta quarta-feira. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que o levantamento do bloqueio seria "uma forma mais fácil" de ajudar Cuba do que a oferta de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária feita por Washington. O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano disse estar a considerar aceitar a ajuda, mas apenas se for distribuída através da Igreja Católica. Com as luzes apagadas em Cuba e a CIA em Havana, o degelo entre os dois países pode estar mais perto do que nunca.

















