O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José António Marcondes de Carvalho, na sequência das declarações do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a Guerra da Tríplice Aliança. A medida representa uma escalada da tensão diplomática entre os dois países.

A controvérsia teve origem num discurso de Lula, em Jacareí, no estado de São Paulo, durante o qual defendeu o reforço dos investimentos na Defesa. Ao recordar o conflito, o chefe de Estado afirmou que "um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil", acrescentando que a guerra envolveu também a Argentina e o Uruguai e se prolongou durante cinco anos.

A reação em Assunção foi imediata. O Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o representante diplomático brasileiro para prestar esclarecimentos, enquanto o ministro Rubén Ramírez Lezcano classificou as declarações como inaceitáveis e reiterou que "a dignidade do Paraguai não se negocia". Entretanto, o Congresso paraguaio aprovou uma moção de repúdio, acusando Lula de apresentar uma interpretação histórica considerada ofensiva para o país.

A Guerra da Tríplice Aliança, travada entre 1864 e 1870, continua a ser um dos episódios mais sensíveis da história do Paraguai. O conflito, que opôs o país à aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai, teve um impacto devastador na população e permanece como uma questão de forte significado histórico e político, tornando qualquer referência ao tema particularmente delicada nas relações entre os dois países.