O comércio eletrónico continua a ganhar terreno em Angola. No primeiro semestre de 2026, o volume de compras de produtos e serviços online realizadas através da rede Multicaixa atingiu 110 mil milhões de kwanzas, (mais de 100 milhões de euros), um crescimento de 72% face ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS). Em média, os consumidores angolanos gastaram mais de 18 mil milhões de kwanzas (quase 18 milhões de euros) por mês em compras digitais.

A forte expansão do setor está a ser impulsionada pela crescente utilização de smartphones, pela massificação dos pagamentos eletrónicos, pela evolução das carteiras digitais e do mobile money, bem como pela aposta de milhares de pequenos negócios nas redes sociais como plataforma de venda e promoção dos seus produtos.

Mantendo-se este ritmo, o mercado poderá fechar 2026 com um volume próximo dos 220 mil milhões de kwanzas, ou seja, mais de 200 milhões de euros superando largamente todo o ano de 2025, ainda que os especialistas admitem que o valor final possa ser ainda superior, uma vez que o segundo semestre concentra tradicionalmente os maiores picos de consumo, impulsionados por campanhas como a Black Friday e pelas compras de Natal.

Desde que a EMIS começou a divulgar estatísticas sobre o setor, no final de 2021, os angolanos já realizaram cerca de 312 mil milhões de kwanzas , o equivalente a quase 290 milhões de euros, em compras online através da rede Multicaixa. Ainda assim, estes números não refletem toda a dimensão do mercado, já que ficam de fora modalidades como o pagamento na entrega, os sistemas 'buy now, pay later' e as compras efetuadas em plataformas internacionais.

O crescimento do comércio eletrónico em Angola ocorre a um ritmo muito superior à média africana, estimada em cerca de 14 por cento, reforçando o potencial do mercado digital angolano como um dos mais dinâmicos do continente.