As seguradoras brasileiras estão a preparar-se para um El Niño particularmente intenso, perante o risco de aumento significativo dos prejuízos provocados por inundações, vendavais, ciclones, secas prolongadas e outros fenómenos meteorológicos extremos. As companhias começaram já a rever planos de contingência e a reforçar equipas para responder a uma eventual vaga de participações de sinistros.
Segundo o Valor Económico, as previsões apontam para que os efeitos mais fortes possam começar a sentir-se a partir de setembro. Automóveis e habitações estão entre os segmentos mais expostos, mas as empresas e sobretudo a agricultura poderão também sofrer consequências relevantes.
Os números ajudam a explicar a preocupação. A média anual de ocorrências relacionadas com fenómenos climáticos no Brasil passou de cerca de 2500 entre 2015 e 2019 para aproximadamente 4500 entre 2020 e 2024, de acordo com dados do setor segurador.
A crescente frequência e intensidade destes episódios está a obrigar as companhias a alterar os modelos utilizados para calcular o risco. O setor acompanha agora diariamente as previsões meteorológicas, reforça redes de assistência e prepara equipas especiais capazes de responder simultaneamente a milhares de pedidos de indemnização. O clima está, cada vez mais, a transformar-se também num problema financeiro.

















