França enfrenta uma grave crise social, com dezenas de milhares de estudantes e professores novamente nas ruas de Paris, esta quinta-feira, dia 8, numa contestação que já provocou mais de 6500 detenções, centenas de feridos e confrontos violentos com a Polícia. O movimento, iniciado em setembro, continua a crescer e coloca o governo sob forte pressão.
A manifestação, convocada pelo Sindicato dos Estudantes e pela Coordenação Liceal, juntou milhares de pessoas numa marcha até à Praça da Bastilha. Os jovens exigem melhores condições nas escolas, mais professores, turmas menos numerosas e um acesso mais justo às universidades.
Na terça-feira, por exemplo, quase meio milhão de pessoas participaram nos protestos em todo o país. Segundo o Ministério da Educação, 157 estabelecimentos de ensino continuam encerrados.
A violência tem marcado a contestação. Desde o início do movimento, foram registados 215 alunos, 85 funcionários escolares e cerca de 800 polícias feridos. Um adolescente de 15 anos perdeu uma mão, na segunda-feira, em Lens, devido a uma granada disparada pela polícia.
O caso levou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, a suspender a utilização de granadas de atordoamento. "A polícia usou nos estudantes a mesma estratégia dura que usou para reprimir os coletes amarelos, mas os estudantes são crianças", denunciou à Lusa Marie, professora universitária na Sorbonne.
Perante a dimensão da revolta, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, reconheceu que "ninguém pode ficar indiferente" às preocupações dos jovens e prometeu decisões até final de outubro.
O ministro da Educação, Edouard Geffray, anunciou um plano de emergência para substituir professores em falta. Os estudantes exigem ainda a criação de 250 mil vagas universitárias e mudanças na plataforma de acesso ao ensino superior.
O Governo enfrenta, contudo, fortes restrições financeiras, com uma dívida pública equivalente a 119% do PIB e um plano de recuperação de 43 mil milhões de euros.
Apesar das promessas, os manifestantes mantêm a mobilização, prolongando uma das mais graves crises sociais recentes em França.
Créditos: izquierdadiario

















