A França de Emmanuel Macron enfrenta uma das maiores vagas de contestação estudantil dos últimos anos. O movimento dos alunos do ensino secundário, iniciado em setembro contra a falta de professores, turmas sobrelotadas e degradação das condições nas escolas, alastrou pelo país e está agora marcado por confrontos, milhares de detenções e feridos graves.

Segundo os últimos dados do Ministério do Interior francês, desde 28 de setembro foram realizadas 6.059 interpelacões, com mais de cinco mil pessoas colocadas sob custódia policial. A esmagadora maioria são menores. Só para uma nova manifestação em Paris, as autoridades mobilizaram cerca de dois mil polícias e gendarmes.

O episódio mais dramático aconteceu esta segunda-feira, dia 5, em Lens. Um aluno de 15 anos perdeu uma mão após a explosão de uma granada policial durante uma intervenção dos CRS junto ao liceu Auguste-Béhal. O Ministério Público abriu uma investigação e ainda procura determinar as circunstâncias exatas em que o engenho explodiu.

A violência deixou um rasto preocupante. Há centenas de feridos entre estudantes, funcionários escolares e forças de segurança. Em Tours, um jovem de 16 anos perdeu a visão de um olho, num caso em investigação por suspeita de ter sido atingido por uma bala de borracha.

A tensão promete continuar. Sindicatos estudantis convocaram novas ações e a Liga dos Direitos Humanos denunciou a atuação policial, enquanto as autoridades apontam também para vandalismo, incêndios e agressões cometidos à margem das manifestações.

Créditos: @RafaelFontana