A contestação social volta a subir de tom em França, com milhares de trabalhadores a exigirem melhores salários, mais poder de compra e melhores condições de trabalho, num momento em que o aumento do custo de vida está a pressionar o governo do Presidente Emmanuel Macron. As mobilizações desta terça-feira, dia 15, funcionam também como antecâmara de novas jornadas de greve previstas no país.
Em Paris, centenas de polícias concentraram-se no rond-point dos Campos Elísios, respondendo ao apelo de sindicatos das forças de segurança. Os agentes reclamam aumentos salariais, reforço de efetivos e mais meios, além de contestarem um orçamento para 2027 que consideram insuficiente. A Alliance Police Nationale exige entre 300 e 500 milhões de euros adicionais por ano para o setor.
A agitação abrange, porém, várias áreas. Trabalhadores da eletricidade e do gás estão em greve contra a intenção de rever o chamado 'tarif agent', benefício que reduz as faturas de energia e que os sindicatos consideram parte integrante da remuneração. Também profissionais do ensino superior e investigação protestam contra o subfinanciamento e a degradação das condições de trabalho.
O poder de compra está no centro do descontentamento. A líder da CGT, Sophie Binet, fala numa “colère immense” – “enorme revolta” – e exige aumentos dos salários e dos vencimentos da função pública, numa altura em que a inflação deverá atingir 2,9% no final do ano.
A tensão alastra a várias cidades francesas e aumenta a pressão sobre o poder político. Em Marselha, por exemplo, foram já relatados confrontos com as autoridades, num clima social que ameaça endurecer com as próximas jornadas de protesto.

















