Marco Meneses, de 25 anos, está a viver dias de forte tensão por causa de um problema que nada tem a ver com a natação. O atleta paralímpico, que em setembro deverá estar no Campeonato da Europa, continua sem ver resolvida a situação relacionada com a nota do exame nacional de Português.

Marco obteve 9,3 valores, ficando a apenas duas décimas da nota positiva. O problema surgiu quando tentou perceber de que forma poderia pedir a reapreciação da prova, uma vez que o exame não lhe tinha sido disponibilizado. “Só tinha recebido um documento em branco e só tinham as pontuações que tive em cada pergunta. Depois, como podia pedir reapreciação? Vou à segunda fase? Vou à fase especial em setembro? Como é que é? Não me souberam responder”, questionou à SIC.

Ainda em julho, a prova acabou por aparecer. No entanto, a reapreciação trouxe uma nova surpresa: a classificação desceu. Na resposta ao grupo três, Marco tinha recebido inicialmente 2,6 valores, mas, depois da segunda correção, passou a ter zero.

Uma das explicações apontadas para esta diferença prende-se com o facto de a prova de Marco ser adaptada, por o aluno ser cego. Na versão destinada aos restantes estudantes, a resposta era construída com base numa imagem. Já na versão adaptada, essa imagem era substituída por um pequeno texto, a partir do qual o aluno deveria desenvolver uma resposta de opinião.

A suspeita é que, durante a reapreciação, o professor responsável pela segunda correção não tenha tido em conta essa adaptação da prova.

Marco tem agora de apresentar uma reclamação ao Júri Nacional de Exames e continuar à espera de uma decisão que lhe permita avançar com a candidatura ao curso de Psicologia. “Isto está a causar um stress que não está sob o meu controlo, mas está a causar problemas”, admite.

Medalha de bronze nos 400 metros livres nos últimos Mundiais Paralímpicos, Marco Meneses prepara-se para mais uma competição internacional, mas não imaginava que um exame nacional de Português pudesse tornar-se numa fonte de tanta incerteza e ansiedade.