Depois de admitir que os alunos do ensino secundário podem começar as aulas mais tarde do que o que estava previsto, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, de 54 anos, continua a receber críticas pela forma como está a gerir o processo da correção dos exames. Cristina Mota, porta-voz do Movimento 'Missão Escola Pública', assumiu que as declarações do governante mostram que "não conhece o terreno e que não tem consciência do que é, efetivamente, o trabalho de um professor".
"Lembramos que uma das indicações na distribuição de serviço, e ela está a ter lugar justamente agora, é que, sempre que possível, um professor lecione dois ciclos de ensino, nomeadamente o secundário e o básico, pelo que a maioria dos professores que está neste momento a classificar, e que irá classificar também a época especial em setembro, também tem ensino básico. O facto de adiar uma semana o início do ano letivo para o secundário não vai dar resposta à diminuição de trabalho que os professores classificadores irão ter nessa altura, porque os mesmos professores classificadores também vão lecionar o ensino básico", explicou em entrevista exclusiva ao 24Horas.
Relativamente ao despacho assinado pelo Governo, que garante o pagamento de 1 euro aos professores por cada item classificado e 10 por casa exame corrigido, Cristina Mota considera que estes números são "ofensivos". A porta-voz do Movimento 'Missão Escola Pública' realça que o caos relativo à classificação dos exames foi mitigado pelo "trabalho e esforço" dos docentes. "Foram os professores que não falharam e são os professores que efetivamente não estão a ver valorizado este trabalho", garantiu.
Cristina Mota realçou ainda que o Governo contratou empresas externas para fazer face ao caos das correções, comparando os pagamentos feitos às remunerações dos professores. Deu como exemplo a liquidação de 2,6 milhões de euros à Deloitte: "Quando vimos que aos professores vai ser pago 1 euro por item, tendo nós consciência que existem disciplinas em que a classificação do item requer cerca de 15 minutos, estamos a falar de 4 euros por hora ainda sujeitos a descontos. Portanto, de algum modo é um valor até ofensivo se nós pensarmos em termos da administração pública e noutras classes quando contratadas ou quando pagas através do seu trabalho."
Questionada pelo 24Horas sobre a possibilidade de termos alunos que não consigam prosseguir este ano os estudos devido a todo o caos, Cristina Mota não acredita que as entradas nas universidades sejam postas em causa. Ainda assim, assume que os estudos podem enfrentar condicionantes relativamente aos cursos e locais onde prefiram estudar. Ainda assim, existem ainda "170 alunos que realizaram o exame na primeira fase e que, neste momento, não sabem os resultados desse exame".

















