Bukayo Saka marcou três golos, Mbappé tornou-se o melhor marcador de sempre em Mundiais e um jogo pelo 3.° lugar que ninguém queria jogar transformou-se no espetáculo mais delirante do torneio.
A Inglaterra venceu a França por 6-4, este sábado, dia 18, no jogo pelo 3.° e 4.° terceiro e quartoblugars do Mundial 2026, disputado no Miami Stadium perante 64.478 espectadores.
São dez golos num jogo que parecia decidido ao intervalo (4-0 para os ingleses) e que se transformou numa montanha-russa de emoções na segunda parte, com a França de Kylian Mbappé a ameaçar a maior reviravolta da história dos Mundiais.
O resultado dá à Inglaterra o melhor resultado em Campeonatos do Mundo desde a conquista do título em 1966. Para a França, é o adeus amargo de Didier Deschamps, que encerra 14 anos à frente da seleção, com Zinedine Zidane já apontado como sucessor.
Thomas Tuchel, cujo nome foi assobiado pelo público inglês antes do pontapé de saída, fez rotação profunda no onze inicial. Harry Kane e Jude Bellingham começaram no banco. Bukayo Saka e Marcus Rashford, ambos ignorados na derrota das meias-finais contra a Argentina (1-2), foram titulares. A mensagem era clara: provar que o erro tático das meias-finais teve consequências evitáveis.
A resposta veio em 45 minutos devastadores. Declan Rice abriu o marcador logo aos 3 minutos. Ezri Konsa, de cabeça, fez o 2-0 aos 18'. Saka, que Tuchel havia deixado no banco contra a Argentina, marcou o terceiro aos 37' e o quarto no primeiro minuto de compensação da primeira parte. Ao intervalo, 4-0. A França de Deschamps parecia já ter desistido antes de entrar em campo.
O segundo tempo foi outro jogo. Mbappé, em busca da Bota de Ouro, reduziu aos 48'. Bradley Barcola, saído do banco, fez o 4-2, aos 54'. Mbappé voltou a marcar aos 66' e de repente o impossível parecia inevitável. Michael Olise desperdiçou duas ocasiões flagrantes para empatar. Aos 87', Djed Spence sofreu falta de Malo Gusto dentro da área e Saka converteu o penálti para completar o hat-trick (apenas o quarto inglês de sempre a consegui-lo num Mundial).
Parecia arrumado, mas Ousmane Dembélé, aos 90+6', voltou a incendiar o jogo. Dois minutos depois, Jude Bellingham, entrado na segunda parte, selou o 6-4 e tornou-se o inglês com mais golos numa fase final de um Mundial: sete.
O outro grande protagonista da noite foi Mbappé. Com os dois golos marcados, o avançado do Real Madrid chegou aos 22 golos em Mundiais, ultrapassando Lionel Messi (21) como melhor marcador de sempre na história da competição.
Mbappé termina o torneio com 10 golos , dois à frente de Messi na corrida pela Bota de Ouro, que o argentino ainda pode tentar reduzir na final de hoje, domingo, contra a Espanha, em Nova Jérsia.
Para Deschamps, o jogo encerra uma era. Campeão do mundo como jogador em 1998 e como treinador em 2018, o francês levou a sua seleção a duas finais consecutivas de Mundial (2018 e 2022) e a uma meia-final em 2026. Sai com uma derrota que, apesar da reação na segunda parte, não disfarça o desleixo dos primeiros 45 minutos.
Para Tuchel, o resultado é uma faca de dois gumes. O 3.° lugar é histórico, mas apenas acentua a frustração pela eliminação nas meias-finais, onde optou por uma abordagem defensiva que sufocou o talento que, contra a França, explodiu sem rédeas. A pergunta que ficará no ar até ao Euro' 2028 , que a Inglaterra recebe em casa , é simples: porquê agora e não contra a Argentina?

















