Javier Tebas, de 64 anos, considera que chegou ao fim o ciclo de Gianni Infantino na presidência da FIFA. O presidente da La Liga defendeu uma mudança profunda na liderança e no modelo de governação do organismo que tutela o futebol mundial, numa entrevista publicada este domingo, dia 9, pelo jornal francês Le Monde.
"Para mim, a era Infantino terminou. Resta saber em que data isso se tornará efetivo e como decorrerá a sucessão", afirmou o dirigente espanhol. Tebas acrescentou esperar que a eventual saída do suíço não se traduza numa simples troca de protagonistas, mas antes numa "mudança radical" na forma como a FIFA é governada.
As declarações surgem num momento particularmente delicado para Infantino, na sequência da polémica em torno do projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), que previa a criação de uma estrutura comercial da FIFA aberta a investidores externos. O plano, preparado sem o conhecimento de vários intervenientes importantes do futebol internacional, acabou por ser abandonado a 1 de agosto, após forte contestação.
Tebas garante, porém, que a sua posição não resulta apenas dos acontecimentos das últimas semanas. "Há muito tempo que Gianni Infantino cumpriu o seu tempo", declarou, apontando como exemplo a organização do Mundial de Clubes de 2025 e criticando decisões tomadas sem a participação das ligas profissionais.
O presidente da La Liga recuperou igualmente a polémica da Superliga europeia, em 2021, recordando que o nome de Infantino aparecia em documentos de trabalho dos promotores do projeto. Tebas estabelece ainda uma ligação entre intervenientes envolvidos nesse processo e o entretanto abandonado FIFA Forward Enterprise, citando concretamente o banco JP Morgan.
Para o dirigente espanhol, a questão ultrapassa, contudo, a figura do atual presidente da FIFA. Tebas entende que o problema é estrutural e reside num modelo de governação que considera pouco transparente e insuficientemente participado pelos principais agentes da indústria.
O líder da La Liga mostrou-se, por isso, surpreendido com dirigentes que agora dizem desconhecer a forma como determinadas decisões eram tomadas dentro da FIFA. Segundo Tebas, existia um círculo restrito com conhecimento das reuniões e dos assuntos discutidos, sustentando ainda que responsáveis europeus também estavam a par de algumas dessas práticas.
A crise em torno de Infantino agravou-se depois do abandono do FFE. Mattias Grafström, secretário-geral da FIFA, chegou a distanciar-se publicamente do projeto numa mensagem enviada aos funcionários do organismo, enquanto outros altos responsáveis também manifestaram oposição. Na sequência de uma reunião de crise realizada em Rabat, porém, a administração da FIFA reafirmou formalmente o apoio ao presidente e reconheceu terem sido cometidos erros na condução do processo.
Infantino não deu, até ao momento, sinais de pretender abandonar o cargo. O dirigente, eleito pela primeira vez para a presidência da FIFA em 2016, prepara uma candidatura a um terceiro e último mandato, cuja eleição está prevista para março de 2027.
Tebas promete, por seu lado, manter a pressão sobre o organismo internacional. O espanhol recordou que a La Liga e a FIFPro avançaram, em 2024, com uma queixa junto da Comissão Europeia relacionada com a expansão do calendário internacional e defendeu o recurso aos tribunais sempre que considere existir abuso de uma posição monopolista.
"Enquanto eu for presidente da La Liga, continuaremos a lutar", garantiu.
















