O pioneiro da música eletrónica Jean-Michel Jarre, de 77 anos, considera que a Inteligência Artificial representa uma nova revolução criativa, classificando-a como "o super-sintetizador do século XXI". Numa entrevista ao jornal espanhol El País, o compositor francês defende que a IA deve ser encarada como uma ferramenta ao serviço da criação artística e não como uma ameaça à cultura.
Jarre, que prepara o lançamento de um novo álbum e uma série de concertos em Espanha, recorda que também os sintetizadores foram inicialmente vistos com desconfiança. "A IA pode ser um instrumento fantástico para ampliar a criatividade humana", afirma, sublinhando que o verdadeiro desafio passa por proteger a propriedade intelectual e estabelecer regras claras para a utilização desta tecnologia.
O músico revela já estar a recorrer à inteligência artificial na componente visual dos seus espetáculos e na experimentação de novas texturas sonoras, embora rejeite a ideia de que a tecnologia possa substituir a emoção humana. "As emoções não mudam", sustenta.
Crítico da postura europeia perante a inovação, Jean-Michel Jarre deixa ainda um apelo para que o continente não fique para trás na corrida tecnológica: "Vou muito à China e, sempre que regresso, é como voltar do futuro. Gostava que a Europa despertasse", diz, defendendo uma atitude mais ambiciosa perante a transformação digital.

















