Lídia Jorge, de 79 anos, foi distinguida com o Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia 2026, uma das mais prestigiadas distinções literárias atribuídas pela Áustria. O galardão, no valor de 25 mil euros, reconhece o conjunto da obra da escritora portuguesa e será entregue a 27 de julho, durante o Festival de Salzburgo.

Ao anunciar a decisão, o Ministério da Cultura austríaco destacou a relevância da autora no panorama literário internacional. "Lídia Jorge é uma das escritoras mais destacadas da literatura europeia contemporânea; a sua obra é tão versátil e ramificada quanto significativos e omnipresentes são os seus temas", afirmou o ministro Andreas Babler. O governante sublinhou ainda que a escritora tem defendido, ao longo da sua carreira, "numa forma altamente poética pela igualdade dos povos".

Na fundamentação da escolha, o júri destacou a forma como a autora aborda questões centrais da sociedade contemporânea. "A crítica ao colonialismo europeu é um dos temas básicos da literatura de Lídia Jorge, como é a análise da desigualdade social e da pobreza, discriminação contra mulheres, racismo ou a Revolução dos Cravos de 1974", pode ler-se na declaração dos jurados.

Natural de Boliqueime, no Algarve, onde nasceu há 79 anos, Lídia Jorge estreou-se na literatura em 1980 com o romance 'O Dia dos Prodígios'. Desde então, construiu uma obra vasta que inclui romances, contos, literatura infantil, ensaio, teatro, poesia e crónica, tornando-se uma das vozes mais influentes da literatura portuguesa contemporânea.

Ao longo da carreira, recebeu diversos prémios nacionais e internacionais, entre os quais o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas, atribuído em Guadalajara, no México, em 2020. Recentemente, foi também distinguida pelo Governo português com a Medalha de Mérito Cultural. Em 2025, presidiu ainda às comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.