O Governo escolheu esta quarta-feira, dia 14, a Lufthansa como vencedora da privatização parcial da TAP. A decisão foi tomada em Conselho de Ministros extraordinário e afasta a Air France-KLM, a outra concorrente. O grupo alemão fica em posição de comprar 44,9% do capital da companhia aérea portuguesa.

Ao todo, o Estado vende até 49,9% da TAP. Além dos 44,9% para o investidor, até 5% ficam reservados aos trabalhadores. O Estado mantém a maioria do capital.

A escolha não fecha o negócio. Segue-se uma última fase de negociação com a Lufthansa e depois a análise da Comissão Europeia. O ministro das Finanças já tinha admitido que o processo em Bruxelas pode demorar entre 18 e 24 meses. Por isso, a venda só deverá ficar concluída em 2028.

A proposta alemã era vista como a mais vantajosa para o Estado. A Lufthansa ofereceu pagar tudo em dinheiro. A Air France-KLM propôs uma parte em dinheiro e outra em ações. Contou também a maior capacidade financeira do grupo alemão. Segundo a Bloomberg, as duas ofertas finais ultrapassavam os mil milhões de euros, mas os valores de cada uma não foram divulgados.

No plano estratégico, a Lufthansa propôs fazer crescer a TAP no mercado brasileiro, expandir o hub de Lisboa e reforçar a operação no Porto. A posição do grupo sobre o novo aeroporto de Lisboa e o reforço da Portela também era considerada próxima dos planos do Governo. A TAP e a Lufthansa já pertencem à mesma aliança, a Star Alliance.

A decisão chega duas semanas depois da última ronda de propostas. A 30 de setembro, os dois grupos entregaram à Parpública as suas propostas finais melhoradas, conhecidas como BAFO. Essa ronda extra foi aberta em setembro porque o Governo considerou que as primeiras ofertas tinham avaliações muito próximas.

Esta manhã, antes do anúncio, o presidente executivo da TAP, Luís Rodrigues, disse que a companhia quer ser a empresa mais lucrativa do grupo vencedor, fosse ele qual fosse.