A Lufthansa voltou a deixar claro que o maior trunfo estratégico da TAP não está apenas em Lisboa, mas sobretudo na posição privilegiada que a transportadora portuguesa ocupa nas ligações ao Brasil e à América do Sul.

O presidente executivo do grupo alemão, Carsten Spohr, afirmou que a integração da TAP permitiria à Lufthansa assumir a liderança nas rotas entre a União Europeia e a América do Sul, ultrapassando a concorrência direta da Air France-KLM e igualando ou superando o grupo IAG.

Segundo o responsável, a Lufthansa detém atualmente cerca de 9 por cento deste mercado, enquanto a TAP controla aproximadamente 11%. Juntas, as duas companhias alcançariam uma quota próxima dos 20%, reforçando de forma decisiva a presença do grupo alemão em destinos como Brasil e Argentina, considerados mercados estratégicos para o crescimento da aviação europeia.

Spohr classificou a TAP como um “excelente complemento” para a rede da Lufthansa, defendendo que Lisboa se transformaria num hub de referência para as ligações transatlânticas. O gestor insistiu ainda que a intenção passa por fortalecer a companhia portuguesa e preservar a sua identidade, integrando-a numa estratégia de longo prazo centrada no Atlântico Sul.

As declarações surgem numa fase decisiva do processo de privatização da TAP, em que Lufthansa e Air France-KLM disputam a entrada no capital da transportadora portuguesa. Para os alemães, a operação representa muito mais do que um investimento financeiro: é a oportunidade de conquistar uma posição dominante no mercado europeu das ligações ao Brasil, considerado a principal joia da coroa da TAP.