Lula da Silva, de 80 anos, manifestou o seu mais profundo desagrado e reagiu com dureza à decisão da administração de Donald Trump de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista dos Estados Unidos (EUA) de organizações terroristas estrangeiras.

Durante o anúncio oficial da nova Lei Antifacção, o chefe de Estado brasileiro sublinhou que, embora o país combata estas organizações criminosas de forma implacável dentro das suas fronteiras e reconheça o terror quotidiano que impõem nas periferias, o governo não aceitará qualquer tipo de tutela externa ou interferência na soberania nacional. "Não aceitamos ser tratados como miúdos", afirmou de forma categórica, numa crítica direta à postura de Washington e às declarações do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Num contra-ataque diplomático e estratégico, Lula da Silva apontou o dedo às próprias falhas de fiscalização das autoridades americanas, responsabilizando-as pelo armamento pesado que chega às mãos do crime organizado na América do Sul. O governante brasileiro sublinhou o impacto do contrabando internacional de armamento no país, destacando a origem dos arsenais confiscados. "Porque as armas importadas que estão contrabandeadas para o Brasil vêm dos Estados Unidos", declarou o Presidente, argumentando que o combate ao crime organizado exige responsabilidade partilhada e ações recíprocas de controlo de fronteiras, em vez de julgamentos unilaterais.

Para demonstrar a seriedade da posição brasileira, Lula revelou que a Polícia Federal entregou um documento oficial e detalhado diretamente a Donald Trump com dados concretos sobre redes criminosas transnacionais. O chefe de Estado assegurou que o Brasil está inteiramente disposto a trabalhar em parceria contínua para combater o crime organizado, mas enviou um recado direto e irónico ao homólogo norte-americano, sugerindo que o foco inicial das investigações conjuntas deveria incidir sobre solo norte-americano: "Vamos começar pelo seu estado de Delaware que tem lavagem de dinheiro de brasileiros".