Cientistas portugueses realizaram um feito inédito em Marte: conseguiram capturar e medir nuvens marcianas, determinando a sua altitude e velocidade de propagação. O trabalho abre caminho para melhorar futuras missões humanas ao planeta, ao permitir compreender com maior precisão a dinâmica da atmosfera marciana.
As nuvens de Marte são raras e extremamente difíceis de observar, mas têm um valor científico crucial. Segundo a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, estas formações permitem detetar ondas atmosféricas, essenciais para perceber como a energia circula entre as diferentes camadas da atmosfera. Esse conhecimento será determinante para operações de entrada e aterragem de veículos tripulados.
“Quando a humanidade chegar a Marte, vai saber melhor como a atmosfera está distribuída ao longo das várias camadas, o que permitirá uma aterragem mais suave”, explicam os investigadores.
A equipa conseguiu estas medições através de imagens captadas pela sonda europeia Mars Express, que está em órbita do planeta há 23 anos. A análise exigiu técnicas avançadas de processamento e modelação, permitindo, pela primeira vez, medir simultaneamente altitude e velocidade das ondas atmosféricas a partir de uma única câmara.
O estudo, publicado na Journal of Geophysical Research: Planets, envolveu investigadores da Faculdade de Ciências da UL, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e cientistas ligados diretamente à missão Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA).

















