Dois ministros do Supremo Tribunal Federal indicados por Jair Bolsonaro estão no radar das apurações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro: André Mendonça e Kassio Nunes Marques. E, em termos financeiros, um dos episódios pode ser ainda maior do que o que envolve o escritório da mulher de Alexandre de Moraes.

Mendonça viajou, em agosto de 2025, numa aeronave ligada a Lucas Kallas, empresário que foi parceiro de negócios de Vorcaro. Uma empresa de Kallas transferiu ainda 5,2 milhões de reais, cerca de 840 mil euros, para o Instituto Iter, fundado por Mendonça. O ministro afirma que não recebeu qualquer pagamento pelo evento e que não participou da escolha da aeronave.

O encontro entre Mendonça e Vorcaro também entrou no radar do Supremo. Em setembro, Flávio Dino encaminhou os factos ao presidente do STF, Edson Fachin, para que fossem considerados no procedimento que analisa a conduta do ministro. Dino salientou que os factos, por si só, não demonstram que Mendonça tenha sido influenciado por interesses externos.

Já no caso de Kassio Nunes Marques, documentos apreendidos pela Polícia Federal revelaram um contrato que poderia chegar aos 427 milhões de reais, cerca de 68,9 milhões de euros, com o escritório da advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos.

Nas mensagens de Vorcaro, os dois aparecem associados à expressão “Turma do KN”, numa referência a Nunes Marques. Os diálogos também registam Newton Ramos a intermediar pedidos atribuídos ao ministro junto de Vorcaro.

O valor chama atenção: 427 milhões de reais, mais de três vezes os 131 milhões de reais, cerca de 21,1 milhões de euros, previstos no contrato do escritório da mulher de Moraes.

Ou seja: pelo valor envolvido, este episódio pode ser ainda mais grave do ponto de vista financeiro. Nunes Marques nega ter atuado em favor do Banco Master, e os demais envolvidos negam irregularidades.

Os episódios continuam sob escrutínio e levantam questões sobre relações, contratos e possíveis conflitos de interesses envolvendo autoridades do Supremo.