O primeiro-ministro, Luís Montenegro, deu esta sexta-feira uma, dia 9, 'bicada' ao Sporting Clube de Portugal no debate quinzenal no Parlamento, ao comparar quem antecipa défices nas contas públicas ao clube que, durante anos, adiava os títulos para a época seguinte.
Sem nunca nomear o Sporting, Montenegro falou de “uma determinada entidade desportiva” que, quando falhava os objetivos, repetia que “para o ano é que vai ser”. Acrescentou que “passado muito tempo lá aconteceu”, e que o mesmo já sucedeu com outros. A alusão provocou reação audível em várias bancadas.
O alvo político eram os que antecipam derrapagem orçamental. Segundo o primeiro-ministro, a previsão falhou em 2025, passou para 2026 e agora para 2027, e a crítica mudou do saldo orçamental para a despesa permanente, que garantiu não estar descontrolada.
O debate quinzenal, dominado pelo Orçamento do Estado para 2027, teve na devolução de pensões um dos temas mais tensos. André Ventura lembrou que Montenegro dissera que se demitia caso tivesse de reduzir as pensões: “Pois agora, tem”. O chefe do Governo respondeu que houve um erro, que os pensionistas receberam valores a mais e que corrigir é “aplicar a lei”. Ao bloquista Fabian Figueiredo perguntou se devolveria 93 euros recebidos indevidamente no salário. O deputado garantiu que sim e questionou por que razão a Caixa Geral de Aposentações teve antes um entendimento contrário.
Na habitação, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusou o Executivo de “uma grande insensibilidade”. Montenegro devolveu: “Na área da habitação o Partido Socialista não tem a mínima autoridade”. Isabel Mendes Lopes, do Livre, acusou o Governo de “desproteger de forma absolutamente cruel os inquilinos” e anunciou uma proposta para baixar o IVA para 21%, que o primeiro-ministro rejeitou por beneficiar sobretudo quem tem maiores rendimentos. Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal, disse que Montenegro “percebeu o diagnóstico, mas falta tratar a doença completamente”.
Ventura chamou ainda ao primeiro-ministro “o radar Luís Montenegro”, por causa da receita de multas, e ouviu que “vive para as manchetes”. Na saúde, Carneiro afirmou que Montenegro “falhou à Saúde desde a primeira hora”; o primeiro-ministro admitiu problemas, mas reclamou melhorias face a 2024.
Paulo Raimundo, do PCP, chamou a Montenegro “um verdadeiro bailarino, a dançar a dois e a três”. Paulo Núncio, do CDS, respondeu que o primeiro-ministro “está a dar um grande baile às oposições”.

















