O mundo da música despediu-se de Sonny Rollins. O lendário saxofonista tenor morreu na segunda-feira, dia 25, aos 95 anos, em Woodstock, no estado de Nova Iorque, confirmou uma porta-voz do músico à Associated Press. Considerado um dos maiores nomes da história do jazz, Sonny Rollins foi uma referência absoluta do bebop e influenciou gerações de músicos ao lado de figuras como John Coltrane e Charlie Parker.

Nos últimos anos, o músico encontrava-se praticamente retirado da vida pública devido a vários problemas de saúde. Sofria de fibrose pulmonar e já não atuava desde 2012, tendo deixado definitivamente de tocar saxofone em 2014.

Nascido no Harlem, em Nova Iorque, a 7 de setembro de 1930, Sonny Rollins começou cedo a mergulhar no universo da música. Autodidata, convenceu os pais a comprarem-lhe um saxofone ainda em criança e rapidamente começou a marcar presença nos clubes noturnos da cidade. A primeira grande oportunidade surgiu ao integrar a banda de Thelonious Monk, seguindo-se colaborações com Miles Davis e Bud Powell.

A carreira ficou marcada por álbuns históricos como 'Saxophone Colossus', lançado em 1956, ou 'Way Out West' e 'Freedom Suite'. Reconhecido pela extraordinária capacidade de improvisação, chegou mesmo a afastar-se da música durante dois anos para estudar e praticar sozinho na ponte de Williamsburg, em Nova Iorque. Mais tarde, uma viagem ao Japão aproximou-o do zen budismo, motivando novo período de afastamento antes do regresso aos palcos em 1972.

O saxofonista também ficou ligado ao universo do rock depois de participar no álbum 'Tattoo You', dos The Rolling Stones, assinando o solo da canção 'Waiting on a Friend'. Apesar da carreira consagrada e dos vários prémios conquistados, incluindo um Grammy pelo álbum 'This Is What I Do', nunca escondeu a exigência consigo próprio. “Depois de sair deste planeta não vou ter voto na matéria. Eu sofro muito com a minha música mas não vou ter de sofrer mais, graças a Deus”, afirmou ao jornal New York Times, em 2020.