A desistência da antiga Presidente chilena Michelle Bachelet reduziu a sete o número de candidatos à sucessão de António Guterres, que termina o seu segundo mandato no último dia deste ano, deixando duas mulheres na liderança da corrida: Rebeca Grynspan, da Costa Rica, e Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana.
Grynspan, antiga vice-presidente costa-riquenha e atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, passou para a frente na terceira votação informal do Conselho de Segurança, tendo obtido nove votos de ‘encorajamento’, cinco de ‘desencorajamento’ e uma posição neutra.
Logo atrás aparece Rodrigues-Birkett, embaixadora da Guiana junto da ONU e antiga ministra dos Negócios Estrangeiros, com oito votos favoráveis, seis contrários e uma posição neutra. A diplomata, de ascendência indoamericana, conta com o apoio da Comunidade das Caraíbas e apresenta-se como representante dos pequenos Estados insulares e dos países mais vulneráveis às alterações climáticas.
A eleição de qualquer uma das duas representaria uma dupla novidade: em mais de 80 anos, nenhuma mulher dirigiu a ONU e apenas um latino-americano, o peruano Javier Pérez de Cuéllar, ocupou o cargo.
Num segundo grupo surge Olara Otunnu, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Uganda e ex-subsecretário-geral da ONU. Com cinco votos favoráveis, poderá funcionar como candidato de compromisso caso as principais candidaturas sejam bloqueadas, enquanto o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, também obteve cinco apoios, enfrenta oito votos contrários e uma possível resistência da Rússia.
Mais distantes estão Maria Fernanda Espinosa, antiga presidente da Assembleia Geral da ONU e ex-ministra equatoriana, o antigo Presidente senegalês Macky Sall e a diplomata equatoriana de origem libanesa Ivonne A-Baki. Os resultados obtidos nas consultas informais deixam os três praticamente fora da decisão, embora o processo permaneça aberto à entrada de novos nomes.

Para chegar ao cargo, um candidato necessita de pelo menos nove votos no Conselho de Segurança e não pode ser vetado por nenhum dos cinco membros permanentes, ou seja, Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido, sendo que posteriormente o nome escolhido é submetido à Assembleia Geral.
Grynspan parte agora com vantagem, mas a diferença mínima relativamente a Rodrigues-Birkett e a divisão entre as grandes potências deixam tudo em aberto. Se nenhuma conseguir ultrapassar a barreira dos vetos, poderá surgir na fase final uma candidatura de consenso.

















