O Rússia Unida (RU), partido que apoia o presidente Vladimir Putin, de 73 anos, mantém uma ampla vantagem nas eleições para a Duma, realizadas entre esta sexta-feira, dia 18, e domingo, 20, segundo os resultados divulgados pela Comissão Eleitoral Central do país.

Com a contagem em curso, a formação governamental obtém 57,86% dos votos atribuídos através das listas partidárias e lidera em 208 dos 225 círculos eleitorais. Os resultados apontam, assim, para a manutenção do controlo do partido sobre a câmara baixa do Parlamento russo.

A Duma é composta por 450 deputados. Metade dos lugares é distribuída através de listas partidárias, enquanto os restantes 225 são eleitos em círculos uninominais.

Com estes resultados, o Rússia Unida ultrapassaria novamente os 301 deputados necessários para garantir uma maioria de dois terços na câmara. O partido já dispõe atualmente de 324 lugares, depois de ter conquistado 343 nas legislativas de 2016.

Foi precisamente com uma maioria desta dimensão que o parlamento russo aprovou, em 2020, alterações constitucionais que permitiram a Putin voltar a candidatar-se à presidência. As mudanças abriram caminho para que pudesse permanecer no poder até 2036, caso seja eleito para novos mandatos.

O Partido Comunista surge na segunda posição, com 13,84% dos votos, de acordo com os dados citados pela comissão eleitoral.

Seguem-se o Partido Liberal-Democrata da Rússia, de orientação ultranacionalista, com 8,9%, e o Novas Pessoas, de orientação liberal, com 7,94%.

Já o Rússia Justa obtém 4,95% e poderá ficar abaixo do limiar necessário para conquistar lugares através das listas partidárias. A formação poderá, ainda assim, eleger deputados através dos círculos eleitorais.

O atual resultado mantém o padrão das legislativas anteriores, nas quais as principais formações autorizadas a concorrer têm, em diferentes graus, apoiado grande parte das iniciativas do Kremlin.

Estas eleições são as primeiras para a Duma desde o início da invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022. A votação decorreu durante três dias e ficou marcada pela exclusão ou afastamento de grande parte dos candidatos e partidos que se opõem à guerra.

O Yabloko, partido liberal e crítico da guerra, foi retirado da votação por listas partidárias na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal russo. A formação manteve, contudo, alguns candidatos nos círculos uninominais.

O partido denunciou irregularidades durante o processo eleitoral. Entre as queixas apresentadas estão alegados obstáculos à atuação dos seus observadores e problemas relacionados com o voto eletrónico. Outras formações também relataram incidentes em várias mesas de voto.

Nikolai Rybakov, líder do Yabloko, afirmou que a formação teria alcançado um resultado muito superior caso tivesse podido concorrer através das listas partidárias.

A oposição russa no exílio tinha apelado aos eleitores contrários à guerra para apoiarem candidatos do Yabloko nos círculos eleitorais e escolherem, nas listas partidárias, formações que pudessem retirar lugares ao Rússia Unida.