A província do Namibe está a afirmar-se como uma surpreendente região de produção vinícola em Angola, demonstrando que o clima semidesértico pode proporcionar condições para o desenvolvimento de uma atividade agrícola de elevado valor acrescentado. O vinho Vale do Bero, produzido nas proximidades de Moçâmedes, tornou-se um exemplo da capacidade de inovação e diversificação económica da região.
O projeto nasceu de um investimento privado de cerca de cinco milhões de dólares, promovido pelo empresário Paulo Múrias, através da Fazenda Cruz, propriedade da família Malheiros Múrias. Lançado comercialmente em 2022, o Vale do Bero começou com uma produção de 50 mil garrafas.A particularidade desta produção reside nas condições naturais do Namibe. A combinação do calor do deserto, dos solos arenosos e da influência da corrente fria de Benguela cria características únicas para as vinhas, permitindo mesmo duas vindimas anuais.
O projeto aposta em castas de origem portuguesa, como Touriga Nacional, Touriga Franca, Aragonez e Sousão, contando com o acompanhamento técnico do enólogo Mário Andrade. Em 2022, a produção anual já rondava as 100 mil garrafas, segundo os dados então divulgados.
A experiência demonstra o potencial agrícola de uma província tradicionalmente associada à pesca, à pecuária e à exploração mineral.
A produção de vinho representa também uma oportunidade para atrair investimento, criar emprego, desenvolver o turismo e reforçar a presença de produtos angolanos no mercado.
O Namibe mostra, assim, que o deserto pode transformar-se num espaço de inovação, produção de riqueza e novas oportunidades para a economia angolana.

















