Francisco Louçã, de 69 anos, voltou a apontar críticas ao período da 'geringonça', solução governativa que contou com o apoio parlamentar do Bloco de Esquerda (BE). O antigo coordenador bloquista reconhece que foram tomadas medidas positivas, mas considera que ficaram por resolver problemas estruturais da economia portuguesa. Numa entrevista à agência Lusa, acusou o PS de "falta de vontade política" para avançar com reformas mais profundas.
A avaliação de Louçã acontece mais de uma década depois do início da 'geringonça', que permitiu ao Governo minoritário de António Costa governar com o apoio do BE, PCP e PEV. Apesar de reconhecer os benefícios de algumas medidas, o economista considera que o período ficou aquém das expectativas.
"Foi uma interrupção, um alívio, uma promessa", afirmou, destacando iniciativas como os passes dos transportes públicos e a gratuitidade dos manuais escolares.
Ainda assim, Louçã admite que as mudanças estruturais ficaram por concretizar, nomeadamente na habitação, nos salários e na industrialização. Na sua perspetiva, "faltou vontade política" ao PS para transformar "a habitação, o salário e as condições de vida".
As críticas surgem, contudo, de uma figura histórica de um dos partidos que sustentaram parlamentarmente aquela solução governativa, embora Louçã já não liderasse o BE durante esse período.
O antigo dirigente também não poupou críticas à atual situação económica, classificando o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) como "uma oportunidade perdida", por considerar que os investimentos não estão suficientemente concentrados em objetivos estratégicos.
"São distribuições clientelares ou setoriais de financiamentos para fazer recuperar alguns setores ou algumas empresas ou para cumprir objetivos atrasados de infraestrutura com déficits extraordinários", afirmou.
Louçã criticou ainda a evolução política do País, apontando o crescimento da extrema-direita e deixando uma crítica a Pedro Passos Coelho: "Ainda me consigo surpreender pela forma como Passos Coelhos se 'venturizou'".
Na mesma entrevista, concedida por ocasião da sua jubilação no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), o antigo líder bloquista afastou a possibilidade de voltar a exercer cargos públicos. Admitiu que gostou de ser deputado, mas afirmou que atualmente não regressaria ao Parlamento devido ao "grau de degradação" que considera existir na instituição.
Apesar de continuar politicamente ativo, Louçã garante estar "longe dos holofotes" e não pretende disputar novos lugares políticos.

















