A AXA vai acelerar a aposta na Inteligência Artificial (IA) e espera que a tecnologia permita gerar entre 500 e 700 milhões de euros por ano em lucros recorrentes antes de impostos até 2029. A seguradora apresentou esta terça-feira, dia 15, o novo plano estratégico, que prevê também um crescimento mais rápido e um reforço da posição do grupo no mercado.

O plano, denominado 'Growing Forward', abrange o período entre 2027 e 2029 e coloca a Inteligência Artificial no centro da transformação da empresa. A tecnologia deverá ser utilizada em áreas como a avaliação e subscrição de riscos, a eficiência das operações e o atendimento aos clientes.

O diretor-executivo da AXA, Thomas Buberl, destacou o potencial da tecnologia, mas reconheceu que a IA também representa novos riscos para o setor. Um dos principais exemplos está relacionado com a cibersegurança, uma vez que a Inteligência Artificial pode ser utilizada por criminosos para automatizar ataques informáticos.

O responsável alertou ainda para os desafios que esta realidade coloca ao próprio mercado dos seguros. Na área dos riscos cibernéticos, considera que a cobertura poderá tornar-se difícil de sustentar a longo prazo se não for acompanhada por medidas de prevenção dentro das próprias empresas.

A AXA considera, no entanto, que a Inteligência Artifcial já ultrapassou a fase de testes. Patrick Cohen, diretor da seguradora para a Europa, afirmou que o grupo está atualmente numa fase de “industrialização da inteligência artificial”, dando como exemplo a possibilidade de resumir contratos de 40 páginas em poucos segundos, acelerar processos e responder aos clientes através de sistemas conversacionais disponíveis 24 horas por dia.

A utilização de IA de voz nos centros de atendimento já terá produzido resultados concretos. Segundo a AXA, esta tecnologia permitiu aumentar a produtividade em 40%, enquanto a satisfação dos clientes atingiu uma taxa de 92%.

As novas metas financeiras também são mais ambiciosas. A seguradora prevê que o lucro subjacente por ação cresça a uma taxa anual composta entre 7% e 9% entre 2026 e 2029, acima da anterior previsão de 6% a 8%.

A AXA espera ainda alcançar uma rentabilidade subjacente sobre o capital entre 15% e 17% no período de 2027 a 2029, face aos 14% a 16% previstos no plano atualmente em vigor.

Outro dos objetivos passa pela geração de cerca de 25 mil milhões de euros em fluxo de caixa orgânico acumulado ao longo dos três anos do novo plano. O valor compara com os mais de 21 mil milhões de euros previstos para o período entre 2023 e 2026.