Um alegado avistamento de um leão nas serras da província espanhola de Toledo mobilizou a Guardia Civil e deixou várias localidades em alerta. O animal, no entanto, nunca foi encontrado.
O alerta foi dado por um distribuidor, que contactou o 112 depois de garantir ter visto um felino de grandes dimensões junto ao convento do Piélago, na estrada entre El Real de San Vicente e Navamorcuende.
A Guardia Civil mobilizou agentes do Seprona, patrulhas, drones e um helicóptero para procurar o animal. Vários municípios recomendaram prudência aos habitantes e foram contactados parques zoológicos, quintas e proprietários de animais exóticos para tentar perceber se algum leão estaria desaparecido.
Mas não apareceu qualquer rasto. Não foram encontradas pegadas, imagens ou novos testemunhos que confirmassem a presença do felino. As buscas acabaram por ser suspensas.
Uma das hipóteses levantadas é a de uma possível confusão com um mastim tibetano. O cão, de grande porte e com uma pelagem abundante em redor da cabeça, pode apresentar uma aparência semelhante à de um leão quando observado à distância.
O episódio recorda outro caso que ficou na memória coletiva portuguesa: o célebre Leão de Rio Maior.
Em janeiro de 1973, a notícia de que um leão andaria à solta pelos campos de Rio Maior provocou o alarme entre a população. Surgiram relatos de animais mortos e multiplicaram-se os testemunhos de pessoas que garantiam ter visto a fera.
Centenas de homens participaram em grandes batidas, armados com espingardas, varas e cacetes. Uma das caçadas chegou a reunir mais de 500 participantes.
A RTP enviou então Fernando Pessa para Rio Maior. O jornalista ouviu habitantes que afirmavam ter avistado o animal, mas o suposto leão nunca chegou a ser encontrado.
Durante anos, o caso foi encarado como uma gigantesca fantasia coletiva. Em 1984, porém, um comerciante confessou ter criado uma cria que teria sido deixada para trás por um circo. Segundo o relato, o homem julgara inicialmente tratar-se de um cão.
O animal terá crescido, escapado do esconderijo e acabado por ser abatido pelo próprio dono, que posteriormente terá queimado a carcaça.
Entre verdade, meia verdade e lenda, o Leão de Rio Maior tornou-se parte do imaginário português.
Agora, mais de cinco décadas depois, a história repete-se em Espanha. Em Toledo, as caçadeiras deram lugar aos drones, mas o mecanismo é o mesmo: basta um testemunho sobre um grande felino para desencadear buscas, alimentar o medo e fazer crescer a imaginação.

















