Pedro Santana Lopes criticou esta segunda-feira, no canal NOW, a estratégia de investimento em infraestruturas prevista para a próxima década, considerando excessiva a concentração de recursos públicos na região de Lisboa e alertando para o risco de aprofundamento das desigualdades territoriais: “É Lisboa, Lisboa e Lisboa, não pode ser tudo para aqui ou à volta daqui”, afirmou no seu habitual espaço televisivo.

Em causa está um pacote superior a 55 mil milhões de euros, apresentado como uma das maiores vagas de investimento em infraestruturas realizadas em Portugal neste século. Entre os grandes projetos previstos estão o novo aeroporto de Lisboa, estimado em cerca de 8,9 mil milhões de euros, a terceira travessia do Tejo, avaliada em 3,5 mil milhões, e o túnel Algés-Trafaria, que poderá custar aproximadamente 2,5 mil milhões.

É precisamente a geografia destes investimentos que está no centro da crítica de Santana Lopes. Embora vários projetos tenham alcance nacional — como a ligação ferroviária de alta velocidade Lisboa-Porto, Lisboa-Madrid e Porto-Vigo — uma parcela muito significativa das maiores obras tem como epicentro a Área Metropolitana de Lisboa.

O presidente da Câmara da Figueira da Foz e antigo primeiro-ministro coloca assim em causa uma opção que, no seu entender, poderá continuar a concentrar população, empresas e oportunidades económicas no litoral, enquanto vastas regiões do Interior permanecem sem investimentos estruturantes comparáveis.

Créditos: Jornal à Noite, Now