Cerca de 80 por cento da população angolana está atualmente ligada à Internet, aproximando o país da média de 85% indicada para o espaço lusófono. O Governo pretende agora concentrar esforços nos cerca de 20 por cento dos cidadãos que permanecem sem acesso, através de programas de massificação digital, expansão das infraestruturas e reforço da literacia tecnológica.

Projetos como Angola Online e Digital estão entre os instrumentos utilizados para alargar a cobertura. O Angosat-2 é igualmente apontado como uma peça importante da estratégia, devido à sua capacidade de cobrir todo o território nacional e apoiar operadores económicos em zonas onde a instalação de redes terrestres é mais difícil.

O número de utilizadores de Internet passou de cerca de 6,6 milhões em 2020 para 12 milhões em 2024. Paralelamente, o Programa Nacional de Capacitação e Certificação de Gestores e Utilizadores de Tecnologia Espacial já formou mais de 140 jovens oriundos das 21 províncias. A expansão, porém, traz novos desafios. Cibersegurança, desinformação, competências digitais, desigualdade socioeconómica, acesso à eletricidade e regulação surgem agora como obstáculos centrais. O próximo passo deixa, assim, de ser apenas ligar pessoas à rede: passa também por garantir que conseguem utilizá-la com segurança, conhecimento e capacidade económica.