Portugal prepara-se para um mês de forte contestação social, com uma sucessão de greves e manifestações que promete levar às ruas o descontentamento dos trabalhadores.

Até ao final de outubro estão previstas várias paralisações em diferentes setores, num momento marcado pela subida do custo de vida e pela pressão sobre os salários.

A contestação arranca já com força. Os trabalhadores da Faurecia, em Bragança, cumprem esta quinta-feira, dia 1, uma greve de 24 horas, exigindo aumentos salariais intercalares, subsídio de transporte e a integração do prémio de antiguidade no salário base.

Na sexta-feira, 2, é a vez dos trabalhadores das carreiras gerais da Administração Pública pararem, estando marcada uma manifestação, às 11:00, entre a Praça da Figueira e o Ministério das Finanças.
Também os céus prometem turbulência. Os tripulantes de cabine da easyJet avançam para uma greve entre 2 e 6, numa paralisação que poderá afetar cerca de 500 voos nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. O sindicato denuncia problemas laborais e remuneratórios e considera que os salários em Portugal não acompanham o custo de vida.

A CGTP promete intensificar a luta. A central sindical alerta para o aumento dos preços da habitação, alimentação e combustíveis e sustenta que metade dos trabalhadores com remunerações declaradas à Segurança Social recebe menos de mil euros mensais.

Com várias paralisações já anunciadas até ao final do mês, outubro ameaça transformar-se num mês quente nas ruas contra o Governo AD. Salários, carreiras e poder de compra estão no centro de uma contestação que promete subir de tom.