Pedro Passos Coelho, de 62 anos, deixou duras críticas ao Governo de Luís Montenegro, defendeu um entendimento parlamentar entre PSD, Chega e Iniciativa Liberal e elogiou André Ventura.
Numa entrevista concedida este domingo, dia 11, à SIC Notícias, conduzida por Maria João Avillez, o antigo primeiro-ministro admitiu ainda regressar à política ativa caso o PSD não consiga responder aos problemas do País.
Sobre as alianças à direita, Passos Coelho foi categórico: "O PSD tinha a obrigação de explorar essa possibilidade. Não estou a dizer que seria uma possibilidade fácil, porque talvez não fosse fácil um entendimento parlamentar entre o PSD e o CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal. Mas era importante tentá-lo."
O antigo líder social-democrata considera que a estratégia de Montenegro constitui uma "armadilha política imensa", por permitir ao Governo negociar alternadamente com o PS e com os partidos à direita, sem assumir uma orientação política clara.
Questionado sobre André Ventura, não poupou elogios: "Conheço-o o suficiente para achar que é uma pessoa com bastante mérito, ou não tivesse criado um partido com a expressão que hoje tem, e que é um político que tem mostrado um poder de iniciativa notável."
Apesar de discordar de propostas do Chega, nomeadamente sobre a idade da reforma, Passos alertou: "Quanto mais se deixe o Chega fora de qualquer solução, mais provável é que o Chega se sinta muito à vontade para não ser testado nas ideias que está a defender. E para ganhar as eleições."
As críticas ao Executivo da AD foram igualmente contundentes. "Durante um ano esteve a preparar eleições, numa política que foi essencialmente pensada para as eleições, e dessas eleições não saiu a tal maioria. Perdemos um ano", acusou.
Passos comparou ainda a governação de Montenegro à de António Costa, criticando a distribuição de benefícios pontuais em vez de reformas estruturais. "É preciso dar um bocadinho aos reformados. Um bocadinho de baixa do IRS. Um bocadinho aqui e acolá", ironizou.
O antigo primeiro-ministro lamentou também a falta de mudanças profundas na saúde, educação e habitação: "Não vi nada a mudar nos nove anos do PS e não vejo nada agora."
Quanto ao futuro político, garantiu não estar atualmente a preparar qualquer candidatura, mas deixou a porta aberta: "Se isso vier a acontecer, ponderarei e tomarei uma iniciativa, se for caso disso."

















