Luís Montenegro aproveitou o encerramento da Universidade de Verão da JSD para anunciar a preparação de um novo regime de autonomia das escolas, evitando pronunciar-se sobre a moção de censura anunciada pelo Chega na sequência do caso Luís Neves.
Apesar da expectativa em torno de uma eventual resposta a André Ventura, o primeiro-ministro concentrou a sua intervenção na Educação e revelou que o Governo pretende avançar com um modelo que reforce a capacidade de decisão dos estabelecimentos de ensino., sendo que entre as alterações previstas encontra-se a eleição geral do diretor e a valorização do respetivo estatuto remuneratório.
Montenegro reconheceu, no final do discurso, que o silêncio sobre os temas políticos mais polémicos seria interpretado de diferentes formas. “Uns dizem que fugi daquilo, outros de ‘aqueloutro’. E isso é democracia”, afirmou, acrescentando que também faz parte da democracia ter escolhido falar apenas sobre os assuntos que considerou relevantes.
A opção permitiu ao líder social-democrata evitar um confronto direto com o Chega, num momento em que o partido de André Ventura aumenta a pressão sobre o Executivo, e ao mesmo tempo, Montenegro colocou a Educação no centro da agenda política, prometendo dar às escolas maior liberdade na sua organização e gestão, e indiretamente dando um 'sinal' público de apoio ao ministro Fernando Alexandre, também ele debaixo de fogo.

















