A perícia médica feita a Ricardo Salgado, 81 anos, concluiu que o antigo presidente do BES não tem condições para cumprir pena de prisão. O documento revela que Salgado sofre de uma "anomalia psíquica posterior", confirmando o diagnóstico de Alzheimer feito em 2021.

A análise, de acordo com o Eco, mostra que Salgado apresenta um quadro de dependência para as atividades básicas do quotidiano, não tendo autonomia para gerir a sua rotina diária e fazer atividades básicas como tomar a medicação, cumprir horários, assegurar a própria higiene ou deslocar-se sem risco de queda.

Os peritos ressaltam ainda que o ex-banqueiro "não mantém capacidade cognitiva para integrar o sentido real da pena, o seu alcance e os factos a ela associados", sublinhando a a natureza “incurável e progressiva” da doença.

Este documento surge na sequência do entendimento já expresso pelo Supremo Tribunal de Justiça, que admitiu como “elevadamente provável” que a evolução da doença de Alzheimer pudesse colocar Ricardo Salgado na situação prevista no artigo 106.º do Código Penal. O artigo determina que se um condenado desenvolver uma doença ou perturbação mental após a prática do crime, e essa condição não o tornar criminalmente perigoso (ou seja, não justificar o internamento), a execução da pena de prisão é suspensa até que o estado que a motivou cesse.

A decisão final cabe agora ao tribunal de primeira instância, que terá de apreciar as conclusões da perícia à luz do artigo. Ricardo Salgado, foi acusado em dezembro de 2022 de corrupção pelo Ministério Público, no âmbito do caso EDP, juntamente com Manuel Pinho. O ex-banqueiro foi acusado em concurso efetivo e autoria material de um crime de corrupção ativa para ato ilícito, um crime de corrupção ativa e outro de branqueamento de capitais.