A Polícia Federal brasileira realizou buscas na sede da gestora financeira Planner, em São Paulo, no âmbito da Operação Heritage. A investigação apura um alegado esquema de ocultação de dinheiro relacionado com um acordo entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a Oi, uma das maiores operadoras de telecomunicações do Brasil.

Segundo as autoridades, os investigadores procuram determinar se fundos de investimento administrados pela Planner foram utilizados para ocultar a origem e o destino de centenas de milhões de reais. A operação incluiu buscas, apreensão de documentos e o congelamento de bens e contas bancárias, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.

O caso teve origem numa disputa sobre o pagamento de ICMS, um imposto brasileiro cobrado sobre a circulação de mercadorias e a prestação de determinados serviços. Em 2009, o Estado de Mato Grosso reclamou à Oi o pagamento desse imposto, dando início a um longo processo judicial. Anos mais tarde, foi alcançado um acordo financeiro que está agora sob investigação.

De acordo com a Polícia Federal, direitos de crédito que tinham sido adquiridos por cerca de 80 milhões de reais acabaram integrados num acordo avaliado em aproximadamente 308 milhões de reais. Os investigadores suspeitam que parte dessa diferença de valor possa ter sido desviada através de uma rede de fundos de investimento criada para dificultar o rastreamento do dinheiro.

A investigação procura identificar quem beneficiou das operações financeiras. Segundo a Polícia Federal, existem suspeitas de que a estrutura possa ter favorecido pessoas ligadas ao governador do Estado de Mato Grosso, Mauro Mendes, e ao deputado federal Fábio Garcia. Até ao momento, não existe qualquer condenação relacionada com o caso, e os visados negam ter cometido irregularidades.

A Operação Heritage prossegue para esclarecer o percurso do dinheiro e apurar a eventual prática de crimes financeiros, como branqueamento de capitais e ocultação de património.