A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram, esta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga aquela que é considerada uma das maiores fraudes empresariais da história do Brasil. A operação teve como alvo as Americanas, uma das maiores cadeias de lojas do país. Com mais de 90 anos de história, a empresa tornou-se conhecida por vender praticamente de tudo, desde eletrodomésticos e produtos eletrónicos até brinquedos, artigos para o lar, material escolar e alimentos, tanto em lojas físicas como pela internet.

O escândalo veio a público em janeiro de 2023, quando a nova direção da empresa revelou irregularidades nas contas. Inicialmente, o rombo foi estimado em 20 mil milhões de reais, cerca de 3,2 mil milhões de euros. As investigações indicam que, durante anos, dívidas foram escondidas através de manobras contabilísticas, dando a impressão de que a situação financeira da empresa era muito melhor do que realmente era. Com isso, bancos, investidores e fornecedores continuaram a conceder crédito e a fazer negócios com base em informações falsas.

A revelação levou as Americanas a entrar em recuperação judicial e desencadeou uma investigação criminal que continua até hoje. Nesta quinta-feira, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra acionistas, antigos administradores e executivos de instituições financeiras suspeitos de envolvimento no esquema. A Justiça também determinou o bloqueio de bens dos investigados.

Segundo as autoridades, o prejuízo provocado pela fraude pode atingir 54 mil milhões de reais, o equivalente a cerca de 8,6 mil milhões de euros. Agora, a investigação pretende esclarecer quem conhecia as irregularidades e responsabilizar todos os envolvidos naquele que é considerado um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil.