Dois polícias civis foram presos preventivamente esta quarta-feira (7), em São Paulo, suspeitos de terem aceite um acordo de 1 milhão de reais com um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) para interromper uma investigação que poderia levar à identificação de outros membros da organização criminosa. Um advogado apontado como intermediário do alegado acordo também foi detido.

Segundo documentos obtidos pelo Metrópoles, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) acusa os agentes Alan Fernandes Dias e Murilo Muniz de envolvimento num esquema de corrupção relacionado com o encerramento de um inquérito policial. A acusação sustenta que os dois teriam concordado em interromper as investigações em troca de um pagamento de 1 milhão de reais.

O advogado Ademilson Alves de Brito é apontado pelo Ministério Público como o responsável por intermediar o contacto entre os polícias e o integrante do PCC. Ele também teve a prisão preventiva determinada pela Justiça e foi detido na região metropolitana de São Paulo.

De acordo com a investigação, uma das principais provas utilizadas pelo Ministério Público é o registo de uma videochamada realizada em 23 de maio de 2024. Na gravação, segundo a acusação, Ademilson teria conversado diretamente com os dois polícias sobre o pagamento de 1 milhão de reais, o encerramento do inquérito e o compromisso de não avançar com novas investigações contra integrantes da facção.

Cerca de dois meses depois da videochamada, em 23 de julho de 2024, o inquérito policial foi encerrado sem novos indiciamentos. Posteriormente, o Ministério Público promoveu o arquivamento da investigação por falta de provas. Para a acusação, a sequência dos acontecimentos é compatível com o que teria sido combinado durante a conversa gravada.

A denúncia contra os envolvidos chegou inicialmente a ser rejeitada pela Justiça em primeira instância. Entre os argumentos apresentados estava a ausência de perícia prévia sobre o vídeo utilizado na investigação, além de questões formais relacionadas com a denúncia.

O Ministério Público recorreu da decisão. Ao analisar o recurso, a 5.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decidiu pelo recebimento da denúncia e determinou o restabelecimento das prisões preventivas dos dois polícias e do advogado. O relator do caso foi o desembargador Pinheiro Franco.

Com a decisão, Alan Fernandes Dias e Murilo Muniz foram presos preventivamente nesta quarta-feira. A prisão preventiva não representa uma condenação e os três envolvidos ainda responderão ao processo judicial, no qual as acusações terão de ser analisadas.

O advogado Ademilson Alves de Brito entregou-se numa esquadra em Arujá, na Grande São Paulo, acompanhado pelo próprio advogado, depois de tomar conhecimento da existência do mandado de prisão. As autoridades confirmaram a detenção.

O caso chama a atenção pela suspeita de tentativa de interferência numa investigação policial relacionada com uma das maiores organizações criminosas do Brasil. Segundo o Ministério Público, o objetivo do alegado acordo seria impedir que o inquérito avançasse e revelasse novos nomes ligados ao PCC.