Portugal e Marrocos vão retomar os estudos para a criação de uma interligação elétrica submarina entre os dois países, um projeto que poderá reforçar a segurança do abastecimento energético, aumentar a integração das energias renováveis e aproximar a Península Ibérica do mercado elétrico do Norte de África.
O governo português vai avançar com uma nova avaliação à viabilidade da infraestrutura, que regressa à agenda oito anos depois de uma primeira tentativa que acabou por não sair do papel e que poderá representar um passo importante para diversificar as ligações energéticas nacionais e reforçar a resiliência da rede elétrica.
O anúncio foi feito pela ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, após um encontro de alto nível em Paris com as suas homólogas de Espanha e de França, bem como com o comissário europeu da Energia. A governante revelou que irá receber nos próximos dias a ministra marroquina da Energia, Leila Benali, estando a eventual construção do cabo submarino entre os temas centrais das conversações.
Segundo explicou, Portugal pretende avaliar se uma ligação semelhante à existente entre Espanha e Marrocos poderá trazer vantagens ao sistema elétrico nacional. No entanto, sublinhou que a maior distância entre os dois países obriga a uma análise rigorosa da relação entre custos e benefícios antes de qualquer decisão.
O projeto prevê a instalação de um cabo submarino com cerca de 220 quilómetros de extensão, ligando a subestação de Tavira à de B. Harchan, em Marrocos. A infraestrutura teria uma capacidade de transporte de cerca de mil megawatts, permitindo a troca de eletricidade entre os dois sistemas elétricos.
Um estudo elaborado em 2022 pela associação que reúne os operadores das redes de transporte de eletricidade do Mediterrâneo estimava um investimento global de cerca de 650 milhões de euros, repartido entre Portugal e Marrocos. Ainda assim, é expectável que os custos atuais sejam superiores, tendo em conta a evolução dos preços da construção e dos materiais nos últimos anos.
Esta não é a primeira vez que o projeto é colocado em cima da mesa. Em 2018, a REN e a congénere marroquina ONEE receberam dos respetivos governos a missão de preparar um anteprojeto e definir um modelo de financiamento para a futura interligação. Apesar dos estudos então realizados, a iniciativa acabou por não avançar.
O tema voltou a ganhar força em 2025, quando surgiram os primeiros contactos exploratórios entre Lisboa e Rabat. Agora, os dois governos pretendem retomar o processo e perceber se existem condições técnicas, económicas e financeiras para concretizar a ligação.
Durante a deslocação a Paris, Maria da Graça Carvalho aproveitou para defender o reforço das interligações elétricas entre a Península Ibérica e França, um dossiê que Portugal e Espanha consideram prioritário há mais de duas décadas. A ministra apelou a um maior apoio da Comissão Europeia para financiar novas infraestruturas, lembrando que Portugal já atingiu a meta comunitária de interligação com Espanha, mas continua condicionado pelo reduzido nível de ligação da Península ao restante mercado europeu.
Na perspetiva do Governo, o aumento das interligações internacionais será determinante para garantir maior estabilidade da rede, facilitar a integração da produção renovável e reforçar a capacidade de resposta perante eventuais situações de emergência no sistema elétrico.

















