O candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, participou nesta quarta-feira (26) nums sabatina na Rv Globo e apresentou um discurso marcado por propostas controversas nas áreas da segurança pública, defesa, política externa e relação com o Supremo Tribunal Federal.
Um dos momentos de maior repercussão foi a defesa do desenvolvimento de armas nucleares pelo Brasil. Renan afirmou que o país precisa de capacidade nuclear para reforçar a sua soberania e aumentar o seu peso nas relações internacionais. Também defendeu que o Brasil discuta mudanças que permitam avançar nessa direção.
A proposta entra em conflito com a Constituição brasileira, que estabelece que as atividades nucleares no país devem ter fins pacíficos. O Brasil é também signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
Na segurança pública, o candidato defendeu a declaração de uma “guerra contra o crime organizado” e afirmou que pretende endurecer a legislação e aumentar as penas. Renan também falou na adoção de um regime de exceção em áreas dominadas por organizações criminosas, com o objetivo de recuperar o controlo desses territórios.
Ao abordar a atuação policial, Renan defendeu que agentes possam disparar contra criminosos em situações de ameaça e afirmou que “a polícia tem que atirar para matar”. O candidato também declarou que, numa situação de confronto, “o sangue que tem que jorrar” não deve ser o de inocentes, mas o de criminosos.
Renan apresentou ainda o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como uma referência na área da segurança. Disse que pretende adotar elementos do modelo salvadorenho, incluindo medidas de exceção em determinadas regiões. Durante a entrevista, minimizou denúncias de violações de direitos humanos associadas ao regime de exceção em El Salvador.
Outro ponto de tensão foi a relação com o Supremo Tribunal Federal. Renan afirmou que não pretende desrespeitar todas as decisões do tribunal, mas defendeu que decisões que considere ilegais não devem ser cumpridas. Para o candidato, uma decisão ilegal não deve ser obedecida.
Na política externa, Renan criticou a aproximação do Brasil com a China durante o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato afirmou que o país se tornou um “vassalo da China” e defendeu uma política externa mais independente e voltada para o aumento do poder brasileiro.
A entrevista também teve momentos de verificação de declarações. Entre elas, Renan afirmou que os Estados Unidos não possuem reservas, extração ou processamento de terras raras no seu território. A afirmação foi considerada falsa numa checagem publicada após a sabatina. Os Estados Unidos possuem reservas e realizam extração e processamento desses minerais.
Renan também defendeu uma nova reforma da Previdência e mudanças nas regras de despesas públicas. O candidato afirmou que pretende reduzir gastos e alterar mecanismos de vinculação de recursos como parte da sua proposta económica.
A sabatina de Renan Santos foi a terceira de uma série de entrevistas com candidatos à Presidência. Depois de Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan, a próxima entrevista será nesta quinta-feira (27), com Luiz Inácio Lula da Silva. Na sexta-feira será a vez de Flávio Bolsonaro, e Augusto Cury encerra a sequência no sábado (29).

















