O Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, passou a integrar no seu percurso permanente um retrato do rei D. Luís I, pintado por Miguel Ângelo Lupi em 1868. A obra pertence à coleção da Caixa Geral de Depósitos e encontra-se agora exposta na Sala dos Últimos Quartos do Rei.

O depósito acontece no ano em que a CGD celebra 150 anos desde a sua criação, determinada precisamente por D. Luís I. A data coincide também com o bicentenário do nascimento de Miguel Ângelo Lupi, um dos nomes mais relevantes da pintura portuguesa do século XIX.

Segundo José Alberto Ribeiro, diretor do palácio, o quadro enquadra-se de forma natural no discurso expositivo do monumento, onde o monarca viveu entre 1862 e o final da vida: "É um retrato de grande qualidade, que mostra o rei ainda jovem e que passa agora a poder ser apreciado por todos os visitantes."

A pintura, de grandes dimensões, encontra-se em excelente estado de conservação, incluindo a moldura original. Embora fosse conhecida por investigadores e especialistas, nunca tinha estado acessível ao público de forma permanente.

A cedência foi formalizada através de um contrato de comodato entre a CGD, a Museus e Monumentos de Portugal e o Palácio Nacional da Ajuda. O acordo é renovável de cinco em cinco anos, mas a intenção é manter a obra no espaço durante um longo período.

D. Luís I teve um papel decisivo na criação da Caixa Geral de Depósitos, concebida inicialmente como uma instituição de poupança e depósitos. O rei morreu em 1889, no Palácio da Cidadela de Cascais.

Miguel Ângelo Lupi destacou-se como retratista da família real e da burguesia portuguesa. Professor na Academia de Belas-Artes de Lisboa, é considerado uma figura de transição entre o romantismo e o realismo na pintura nacional.

O Palácio Nacional da Ajuda prepara ainda a reabertura, em setembro, do Atelier de Pintura do Rei, após obras realizadas ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência.