Fernando Seara, de 70 anos, recebeu, "há cerca de um mês", a gravação da conversa privada envolvendo Pedro Proença, cuja divulgação pública tem marcado a atualidade do futebol português. O ex-dirigente do Benfica, referido nos áudios, recusou, contudo, comentar o conteúdo das gravações durante o programa 'Grande Jogo', da CMR.

"Não vou comentar", afirmou, reiterando a posição ao longo da emissão. Ainda assim, esclareceu que a primeira gravação lhe foi enviada "no princípio de julho" por uma pessoa "identificada". Acrescentou que, no início desta semana, recebeu novamente esse ficheiro, acompanhado de outros dois áudios relacionados com árbitros, enviados por outro remetente igualmente identificado.

Segundo Seara, a identificação da data, da hora e dos remetentes poderá assumir relevância no inquérito em curso. "Serão dados bastante úteis no processo contra desconhecidos, no qual, estou certo, haverá conhecidos."

Sem abordar diretamente o teor das conversas, o comentador considerou que alguns intervenientes no espaço público poderão ter tido acesso a outras gravações, defendendo que essas pessoas poderão vir a ser chamadas a depor: "É evidente que vai ser tudo explicado. Todos os que suscitaram reações a essas gravações, repito, ilícitas, ilegais e dolosas da moralidade desportiva, terão de responder."

Fernando Seara garantiu ainda estar de "consciência totalmente tranquila" e mostrou-se convicto de que o desenrolar da investigação esclarecerá os factos. "Muita gente vai engolir o que disse. É evidente que, havendo segredo de justiça, este terminará um dia."