A agressão a um homem por cinco seguranças privados, na noite de domingo, 4 de outubro, em plena Movida do Porto, veio dar novos motivos de preocupação à PSP. A vítima foi agredida a soco e pontapé, mesmo depois de ter caído ao chão, e a cena filmada por uma testemunha.

A agressão ocorreu cerca das 23h30, nas imediações das ruas da Fábrica e Cândido dos Reis. As imagens mostram os seguranças a rodear a vítima e a desferir-lhe vários golpes, incluindo pontapés na cabeça.

Os cinco suspeitos, já referenciados por anteriores episódios de violência contra clientes de bares. foram identificados por agentes da 1.ª Divisão da PSP, que remeteram os autos ao Ministério Público.

A segurança da noite na Movida do Porto é uma preocupação crescente da 1.ª Divisão da PSP, comandada pelo intendente Pedro Colaço. No centro das atenções está, sobretudo, a atuação de elementos da segurança privada dos bares. Há relatos de ameaças e agressões a clientes, tanto portugueses como turistas, e a polícia está determinada a impedir que a violência ganhe terreno numa das zonas mais movimentadas da cidade.

Pedro Colaço, comandante da 1.ª Divisão Policial da PSP

As cenas de violência têm antecedentes que ainda ninguém esqueceu. Em 2007, a noite do Porto foi palco de uma guerra entre grupos rivais ligados à segurança privada, com ajustes de contas, tiroteios e quatro homicídios. Os acontecimentos deram origem à investigação policial que ficou conhecida como “Noite Branca”.

Quase duas décadas depois, os contornos são diferentes, mas a PSP não quer correr o risco de assistir a uma nova escalada de violência.

A PSP não esperou pela agressão de 4 de outubro para apertar a fiscalização da segurança privada na Movida. Duas emanas antes, numa madrugada de sábado, equipas policiais s entraram de rompante em três bares da Rua Cândido dos Reis, apoiadas por agentes das equipas de reação imediata e do Corpo de Intervenção, de cara tapada e fortemente armados

Cordões policiais fecharam a rua em ambos os extremos. Ninguém entrava, ninguém saía sem ser identificado. A cena parecia saída de um filme.

Eram quatro e meia da manhã e os bares, licenciados para funcionar até às seis, ainda fervilhavam de clientes.

A PSP acabou com a festa. Toda a gente foi obrigada a sair. O alvo principal era a segurança privada.

A intervenção, conduzida pela 1.ª Divisão, fazia parte de uma Operação Especial de Prevenção Criminal, previamente comunicada ao Ministério Público, com diligências dirigidas à deteção e apreensão de armas ilegais.

A divisão comandada por Pedro Colaço tem vindo a reforçar a presença policial e a fiscalização na Movida.

A segurança privada dos bares está debaixo de olho. Entre os homens que trabalham na zona há indivíduos ligados a ginásios e praticantes de artes marciais, alguns deles já associados a episódios de violência. Naquela madrugada, dez seguranças foram identificados e fiscalizados.

O cerco não se ficou pelos bares. Também foram revistados indivíduos referenciados pela venda de louro, apresentado aos compradores como se fosse haxixe. No total, 135 pessoas foram identificadas. A operação só terminaria perto das sete da manhã.

A 1.ª Divisão tem à sua responsabilidade a segurança da Movida e de algumas das zonas da cidade mais frequentadas por turistas. É, de longe, a que regista maior atividade operacional no Comando Metropolitano do Porto. À data daquela operação, somava mais de 1100 detenções desde o início do ano, quase 20 por cento acima do período homólogo.

A madrugada terminou com um único detido: um segurança privado apanhado na posse de um bastão extensível. Mas o principal objetivo da operação não se esgotava nas detenções. A PSP pretendia também aumentar a perceção de risco entre quem se envolve em atividades criminosas e deixar claro que a polícia acompanha de perto o que se passa na noite portuense. A agressão de 4 de outubro ocorreu poucas semanas depois daquela operação policial. E é precisamente a repetição de episódios como este que a divisão comandada por Pedro Colaço pretende travar. A polícia não se encolhe.