O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, de 53 anos, endureceu esta terça-feira, dia 20, o discurso contra os responsáveis pelo acampamento de protesto na Praça D. João I, acusando elementos mais radicais de instrumentalizarem a luta pela habitação e rejeitando a legitimidade democrática das assembleias populares.

"Não reconheço qualquer legitimidade democrática a assembleias populares. Isso não existe", afirmou o autarca da Cidade Invicta, depois de os manifestantes terem desmontado esta madrugada as tendas perante um ultimato da PSP.

Pedro Duarte foi ainda mais contundente: "Não contribuo para circos mediáticos nem para manobras de diversão de alguns extremistas mais radicais que, eventualmente, possam estar a liderar esses movimentos, possam estar a deturpar uma causa justa."

O presidente da autarquia garantiu que "o direito à manifestação não pode estar em causa na cidade do Porto e nunca esteve", mas deixou um aviso: "No que diz respeito ao cumprimento da lei e do Estado de Direito democrático, serei intransigente. O meu papel aqui é libertar a praça para usufruto de todos e não permitir que a praça seja ocupada por alguns."

Sobre a intervenção das autoridades, esclareceu, rodeado de jornalistas, na Av. dos Aliados: "Dissemos que queríamos, evidentemente, a praça libertada. A forma como isso foi feito já não passa pela Câmara Municipal do Porto."

Pedro Duarte espera que "às sete da tarde tudo esteja resolvido", perante a intenção dos manifestantes de regressarem à praça. A autarquia analisa ainda o pedido para prolongar o protesto até ao final do ano, como o 24Horas revelou ontem.

Créditos: @acampadaporto/Instagram