António José Seguro aproveitou o primeiro discurso do 5 de Outubro enquanto Presidente da República para deixar uma forte mensagem de apelo ao diálogo político, saudando expressamente o entendimento alcançado entre o Governo e o PS em torno do Orçamento do Estado para 2027.
“Saúdo o Governo e o PS pelo caminho de aproximação”, afirmou o chefe de Estado, manifestando ainda o desejo de que “outros partidos possam juntar-se” a esta convergência.
Na cerimónia dos 126 anos da Implantação da República, em Lisboa, Seguro colocou a estabilidade política no centro da intervenção. “A democracia não pode transformar diferenças em impossibilidades de entendimento”, advertiu, lembrando que essa capacidade de compromisso é particularmente necessária quando existem governos minoritários.
Para o Presidente, “sem estabilidade política, não há resultados possíveis”, sendo esta também uma vantagem para Portugal na atração de investimento.
O OE2027 foi apresentado como exemplo do caminho que Seguro pretende ver replicado noutras áreas fundamentais. O Presidente defendeu entendimentos na Saúde, Habitação e Educação e também em políticas destinadas a aumentar a produtividade e a criação de riqueza.
O sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa pediu mesmo uma “nova cultura política”, assente em compromissos interpartidários capazes de sobreviver aos ciclos eleitorais. “É preciso abandonar uma cultura de trincheiras”, declarou, defendendo que Portugal não pode recomeçar do zero sempre que muda uma legislatura.
A referência ao Orçamento surge poucos dias depois de José Luís Carneiro ter anunciado que proporá aos órgãos do PS a abstenção no OE2027, depois de considerar satisfeitas pelo Governo as condições colocadas pelos socialistas para permitir a viabilização do documento.

















