Mika Brunold, de 21 anos, conquistou o Challenger de Tulln, na Áustria, mas a vitória do suíço ficou para segundo plano perante o significado histórico da final. Pela primeira vez no circuito profissional de ténis, dois jogadores assumidamente homossexuais defrontaram-se num encontro decisivo. O primeiro venceu o brasileiro João Lucas Reis da Silva (26), por 6-4 e 6-3, num duelo disputado em terra batida.
Reis da Silva foi o primeiro dos dois a tornar pública a sua homossexualidade, em dezembro de 2024. Onze meses mais tarde, em novembro de 2025, Brunold decidiu também assumir-se publicamente. O tenista suíço explicou então que, além de representar uma decisão pessoal, o gesto pretendia contribuir para quebrar o silêncio em torno da orientação sexual no mundo do desporto.
Depois do triunfo, Brunold fez questão de partilhar o momento com o adversário e de lhe agradecer a inspiração. "Um ano depois de tu te assumires, eu assumi-me e foste uma grande inspiração para mim. Estou orgulhoso de nós, podemos ser modelos para as pessoas que estão a passar por dificuldades com a sua sexualidade", declarou o suíço, numa mensagem que sublinhou a importância do encontro para além das quatro linhas.
O título conquistado em Tulln é também especial do ponto de vista desportivo: trata-se do primeiro troféu de Brunold na presente temporada e permite-lhe alcançar a melhor posição da carreira no ranking mundial, subindo ao 257.º lugar. Entre resultados e simbolismos, a final austríaca acabou por representar um momento marcante para o ténis e para a visibilidade LGBT+ no desporto profissional.

















